ONG de ex-presidente do Peru não recebeu dinheiro de corrupção, diz ministra

Lima, 7 fev (EFE).- O Centro Global para o Desenvolvimento da Democracia, uma ONG formada pelo ex-presidente do Peru Alejandro Toledo em 2006, não recebeu dinheiro da corrupção, afirmou nesta terça-feira sua ex-diretora e atual ministra da Mulher do país andino, Ana María Romero.

O ex-presidente peruano, que governou entre os anos de 2001 e 2006, está sendo investigado pela Justiça do país por ter supostamente recebido propina no valor de US$ 20 milhões da construtura brasileira Odebrecht, e criou a ONG ao deixar a presidência do Peru com a contribuição de cinco diretores para organizar eventos com ex-governantes e personalidades internacionais, declarou a ministra ao jornal "La República".

Entre os doadores para suas atividades figura também a Odebrecht, com uma contribuição de US$ 71 mil, que Ana María disse que foi utilizada para um encontro com o prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus e ex-governantes em Lima.

Diante das alegações de legisladores da oposição de que essa ONG funcionou com dinheiro da corrupção, Ana María, que também foi ministra da Mulher durante o governo de Toledo, esclareceu que as contas da ONG "estão claras" e que foram auditadas pelo órgão arrecadador.

"Não houve um único sol (moeda peruana) no Centro Global que eu não tenha autorizado. Não houve nada irregular", garantiu a ministra.

Durante o funcionamento do Centro Global até 2016, Toledo apresentou US$ 7 mil e quem solicitou a contribuição da Odebrecht foi a própria Ana María, segundo ela mesma indicou.

A ministra da Mulher declarou que sente agora "uma imensa decepção" sobre as acusações contra Toledo de que teria recebido pagamentos milionários da Odebrecht para que a construtura brasileira vencesse a licitação para a construção da estrada Interoceânica.

Ana María afirmou que não irá renunciar a seu cargo pelas acusações contra o ex-presidente, pois o atual chefe de Estado, Pedro Pablo Kuczynski, é o único que pode lhe pedir sua renúncia, "e ele não o fez".

O procurador da Nação, Pablo Sánchez, anunciou que o promotor encarregado da investigação pelo caso de corrupção da Odebrecht no Peru, Hamilton Castro, pedirá hoje a prisão preventiva de Toledo pelos supostos crimes de tráfico de influência e lavagem de ativos.

O pedido da acusação será feito a um juiz, que determinará quais medidas serão tomadas com relação ao ex-presidente.

Como Toledo se encontra fora do país, essas medidas podem incluir um pedido de busca e captura internacional.

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