Possível embaixador de Trump para UE diz que bloco tem "futuro incerto"

Viena, 7 fev (EFE).- Ted Malloch, que pode ser o próximo embaixador dos Estados Unidos perante a UE e que foi criticado por suas ideias antieuropeias, afirma que o bloco tem "um futuro incerto" e que "nenhum investidor recomenda investir no euro".

"A Europa não é igual à União Europeia (UE). Nem todos os estados são membros e nem todos os membros participam da mesma forma", disse em entrevista concedida à revista austríaca "News", publicada nesta terça-feira.

"É sabido que o Reino Unido em breve sairá, e outros estados, como suponho, terão referendos de saída. O futuro desta UE é incerto", opinou Malloch.

O professor universitário de 64 anos, um fervoroso defensor do "Brexit", já tinha causado polêmica ao dizer que não apostaria na continuidade do euro.

Na entrevista, ele lembra que este ano há várias eleições cruciais para o bloco e que é "surpreendente a grande rejeição à UE em quase todos os países" europeus.

Para Malloch, o problema é que em Bruxelas se imaginou que uma maior união econômica levaria a uma integração política mais profunda.

"Era perfeitamente claro que fazia sentido para a Europa se aliar economicamente. Mas os problemas começaram quando se introduziu uma moeda comum e se achou que poderia surgir algo como os Estados Unidos da Europa", considera.

Malloch, que em outra entrevista opinou que o euro poderia entrar em colapso em 18 meses, voltou a dizer que a moeda comum europeia "está em perigo".

"Há incerteza política, a situação na Itália e em outros países. Nenhum investidor recomenda atualmente investir no euro", considera.

O americano ressalta, além disso, que o novo governo dos Estados Unidos põe as relações bilaterais com as capitais europeias do que à frente das relações com a UE como bloco.

"Os interesses nacionais dos Estados Unidos estarão melhor resguardados se as relações bilaterais com todos os estados, inclusive os europeus, estiverem à frente. Esse será o princípio, e será um muito claro", explica.

Para Malloch, a eleição de Trump representará uma mudança "tectônica" nas relações internacionais, de uma "globalização da elite rumo a uma ordem centrada na nação".

O professor universitário assegura que não se surpreenderia com uma vitória da ultradireitista Marine le Pen nas próximas eleições da França pela rejeição à política atual, e lembra que muito poucos previram a vitória de Trump e do "Brexit".

Sua visão crítica sobre as instituições multilaterais também se reflete nas Nações Unidas, onde reprova sua "burocracia" e "politização".

"Sugeriria a Trump reter o financiamento às Nações Unidas e centrar nosso trabalho unicamente em algumas agências", opina o professor universitário americano.

Na semana passada, os grandes grupos do parlamento Europeu (PE) mostraram sua rejeição à nomeação de Malloch como embaixador dos EUA perante a UE e pediram que os governos europeus se façam respeitar. EFE

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