Presidente romeno critica governo, mas rejeita eleições antecipadas

Bucareste, 7 fev (EFE).- O presidente da Romênia, o liberal conservador Klaus Iohannis, criticou com firmeza nesta terça-feira o governo social-democrata do país pela tentativa de descriminalizar certos casos de corrupção, mas rejeitou a convocação de novas eleições.

"A Romênia precisa de um governo transparente, que seja previsível", opinou o presidente em discurso no parlamento em Bucareste.

Iohannis se referia à recente adoção de forma surpreendente de um controvertido decreto, que aumentava o montante mínimo para penalizar os atos de corrupção e anistiava milhares de pessoas, entre eles vários políticos, o que causou uma onda de protestos populares sem precedentes desde a queda do comunismo, e acabou sendo retirado ontem diante da pressão social.

"Retirar o decreto e uma possível renúncia de um ministro é muito pouco. Já a realização de eleições antecipadas, nesta fase, seria demais", disse Iohannis sobre a possível destituição do titular de Justiça, Florin Iordache, suposto responsável pelo decreto.

Na metade de seu discurso, os deputados dos partidos governantes deixaram o plenário em sinal de protesto.

"Vocês ganharam. Agora governem e legislem, mas não de qualquer maneira. A Romênia precisa de um governo forte, não um que executa de forma dócil as ordens do partido", concluiu o presidente romeno.

Por outro lado, o presidente do Senado, o liberal Calin Popescu-Tariceanu, atacou Iohannis por ir "ao parlamento dar lições", o que qualificou de "inaceitável", ao invés de "iniciar um diálogo com todas as instituições".

Ao anoitecer, milhares de moradores voltaram ao centro de Bucareste para manifestarem seu descontentamento com o Executivo, onde no último domingo se reuniram cerca de 300 mil pessoas em uma manifestação contra o governo.

"Não acreditamos nas palavras do governo, é certo que estão buscando fórmulas legais para aprovar uma mudança na lei que os ajude a escapar das grades", denunciou em declarações à Agência Efe Mona Vieru, uma das manifestantes.

Mas não foram apenas os opositores do governo que se manifestaram esta noite, também o fizeram críticos do presidente Iohannis, que pertence à minoria alemã do país.

Diante do Palácio Presidencial de Bucareste, esses manifestantes gritaram palavras de ordem contra Iohannis e sua origem germânica. "Queremos um governo legítimo!" e "Não é romeno, é alemão!", eram alguns dos gritos proferidos pela multidão.

O governo romeno enfrenta amanhã uma moção de censura apresentada pela oposição de centro-direita, mas devido à clara maioria dos partidos governistas na Câmara, esta não tem possibilidade de sucesso.

Além disso, o Tribunal Constitucional analisará amanhã a solicitação do presidente e do Conselho Superior de Magistratura sobre um possível conflito entre os poderes Executivo e Judiciário.

E depois de amanhã, o Tribunal Constitucional deverá avaliar o pedido da Defensoria Pública sobre o polêmico decreto.

Este previa descriminalizar os casos de corrupção se o dano ao Estado fosse inferior a 44 mil euros e um indulto para aproximadamente 2.700 presos condenados por crimes menores, também por corrupção.

Um dos beneficiados desta medida seria um dos líderes da coalizão governista, Liviu Dragnea, que deverá responder na Justiça por um caso de corrupção avaliado em 24 mil euros.

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