Putin e Merkel pedem cessar-fogo imediato no leste da Ucrânia

Moscou, 7 fev (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, conversaram nesta terça-feira por telefone e pediram um cessar-fogo imediato no leste da Ucrânia.

Os dois líderes "expressaram sua profunda preocupação pela escalada do enfrentamento armado, que resultou em perdas humanas e causou danos importantes em infraestruturas civis e em imóveis em várias localidades do Donbass", informou o Kremlin.

Segundo a nota oficial, os dois líderes apoiaram os esforços da missão especial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que denunciou o desdobramento de armamento pesado dentro da zona de separação de forças delimitada nos acordos de paz de fevereiro de 2015.

Além disso, Putin e Merkel coincidiram que é necessário aumentar "os esforços diplomáticos" para impulsionar a solução pacífica do conflito e deixaram aberta a possibilidade para que os ministros das Relações Exteriores dos países participantes do Formato de Normandia (Ucrânia, Rússia, Alemanha e França), que negociaram os acordos de paz para a região, se reúnam em breve.

Em 19 de outubro, Putin, Merkel, e o presidente francês, François Hollande, fecharam um acordo em Berlim para traçar um roteiro para destravar a aplicação dos Acordos de Paz de Minsk antes do fim de novembro.

No entanto, seus ministros das Relações Exteriores foram incapazes de conseguir um acordo no prazo previsto e, após isso, os combates recrudesceram.

Sobre isso, Putin acusou hoje Kiev de tentar "torpedear" os acordos de paz de Minsk ao atacar as posições das milícias pró-russas no leste ucraniano.

O líder russo também lembrou a Merkel que, segundo os relatórios da missão especial da OSCE, o exército ucraniano está tentando modificar a linha de frente em seu favor, desdobrando tropas e armamento, de acordo com o comunicado do Kremlin.

Putin acusou a Ucrânia na semana passada de esquentar o conflito no leste do país para poder se aproximar do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após ter apoiado sua rival, Hillary Clinton, nas eleições.

"Agora eles têm que reaver as relações com o governo atual (dos EUA) e através de um conflito sempre é melhor, mais cômodo", ironizou o presidente russo.

Putin assegurou que a Ucrânia "precisa de dinheiro" desesperadamente e a melhor forma de obtê-lo no Ocidente é "se fazendo de vítima de uma agressão" exterior, em alusão à Rússia.

O exército ucraniano e as milícias rebeldes protagonizaram na semana passada, na região de Donetsk, os combates mais violentos em vários meses, e ambos vêm se acusando mutuamente de terem promovido essa escalada no conflito desde então.

A Ucrânia restabeleceu ontem o fornecimento de água e luz na cidade de Avdeyevka, a mais atingida pelos bombardeios da semana passada e que está a poucos quilômetros da cidade de Donetsk, o principal bastião dos rebeldes pró-Rússia.

Devido aos bombardeios com plataformas de lançamento de mísseis, peças de artilharia e morteiros, centenas de milhares de pessoas ficaram sem luz, água e calefação em Donetsk na semana passada.

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