Após vazamento de escutas, Cristina Kirchner cancela viagem à Croácia

Buenos Aires, 8 fev (EFE).- A ex-presidente argentina Cristina Kirchner notificou nesta quarta-feira a Justiça que decidiu cancelar uma viagem à Croácia depois do escândalo político provocado pelo vazamento de escutas telefônicas protagonizadas por ela.

Fontes da defesa da ex-presidente confirmaram à Agência Efe que os advogados de Cristina apresentaram uma nota aos juízes Claudio Bonadio e Julián Ercolin, que a investigam em diferentes casos, para avisá-los da decisão de não viajar.

As fontes consultadas pela Efe indicaram que a decisão de cancelar a viagem não tem relação com os casos em que Cristina é investigada. A ex-presidente permanecerá na Argentina para que seus advogados possam consultá-la para questionar o vazamento das escutas telefônicas e avançar em uma acusação de espionagem.

O escândalo teve início duas semanas atrás com o vazamento na imprensa de conversas telefônicas entre Cristina e Oscar Parrilli, que primeiro foi secretário-geral da presidência (2003-2014) e depois atuou como chefe do serviço de inteligência do país (2014-2015).

Os grampos foram ordenados em meados do ano passado por um juiz que investiga Parrilli por encobrir um ex-fugitivo.

Parrilli disse na terça-feira, em entrevista coletiva, que os vazamentos fazem parte de uma campanha de perseguição a dirigentes políticos, em particular contra a ex-presidente.

No documento apresentado hoje aos juízes, Cristina disse que a Argentina vive uma "crise institucional", na qual as "garantias constitucionais são seriamente ameaçadas", um quadro que, alegou a ex-presidente, obriga que todos atuem com "maior grau de responsabilidade política e pessoal".

A Suprema Corte da Argentina pediu hoje relatórios sobre os vazamentos tanto ao escritório encarregado de interceptar as mensagens como ao juiz que investiga Parrili, Ariel Lijo.

Cristina deve se apresentar no próximo dia 7 para prestar depoimento a Bonadio, em um caso que investiga a ex-presidente por lavagem de dinheiro e de ter recebido propina através de negócios irregulares envolvendo a empresa da família Kirchner, Los Sauces.

A ex-presidente também é acusada, em um caso sob a responsabilidade de Ercolini, de formação de quadrilha e administração fraudulenta relacionada com a concessão de obras públicas durante seu governo.

Além disso, Cristina está sendo investigada por irregularidades em operações do Banco Central com contratos de dólar futuro durante o fim do mandato.

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