Campanha de presidente colombiano é suspeita de receber dinheiro da Odebrecht

Bogotá, 8 fev (EFE).- O procurador-geral da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, disse nesta quarta-feira que o ex-senador Otto Bula, detido por receber propina da construtora Odebrecht, alega que, dos valores recebidos, US$ 1 milhão tinha como destino Roberto Prieto, coordenador da campanha para a reeleição do presidente do país, Juan Manuel Santos, em 2014.

"Existe o testemunho do senhor Bula, no qual ele diz que recebeu US$ 1 milhão, dos quais descontou 10%, que tinham como destino o doutor Roberto Prieto", disse Martínez em entrevista coletiva.

Martínez detalhou que a procuradoria "carece de provas" se o dinheiro efetivamente entrou na campanha de Santos e que a investigação caberá ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

O relatório divulgado no último dia 21 de dezembro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos alertou sobre os tentáculos da corrupção promovida pela Odebrecht em diversos países da América Latina. Na Colômbia, a companhia teria pagado mais de US$ 11 milhões em propinas entre 2009 e 2014.

As investigações focam nos milionários contratos obtidos pela Odebrecht para a construção da Rota do Sol II, que liga o centro do país com o norte, ainda não concluída, e para as obras de melhoria da navegabilidade do rio Magdalena, o principal da Colômbia.

Pelas propinas recebidas na Rota do Sol II estão presos desde janeiro o ex-vice-ministro de Transporte Gabriel García Morales, que teria recebido US$ 6,5 milhões, e Bula, que, de acordo com os promotores, levou US$ 4,6 milhões da construtora brasileira.

"A Procuradoria carece de competência para identificar se eles violaram ou não as normas sobre financiamento eleitoral. A promotora responsável sobre o caso não fez mais indagações sobre o assunto e, ao longo dessa semana, enviou cópias (do processo) ao CNE para determinar se esses recursos entraram ou não na campanha do presidente Santos", ressaltou Martínez.

O procurador-geral foi taxativo ao afirmar que Santos não está vinculado com as denúncias. Martínez ainda revelou que o presidente, ao saber da acusação, "manifestou respeito pelas decisões da Procuradoria-Geral da Nação".

Segundo a denúncia, o dinheiro foi entregue ao gerente de campanha de Santos por André Giraldo, que Bula garante ser ligada a Pietro. No entanto, Martínez disse que o ex-senador não forneceu documentos que permitam corroborar a entrega do dinheiro.

"Em relação às entregas das propinas que teriam sido feitas, é preciso manifestar que Otto Bula disse que entregou esse dinheiro a um terceiro, que estaria vinculado a Pietro. Esse dinheiro teria como objetivo final chegar à gerência da campanha", reiterou.

O escândalo da Odebrecht também chegou ao candidato do Centro Democrático nas eleições de 2014, Óscar Iván Zuluaga. Segundo a revista "Veja", parte dos salários do publicitário Duda Mendonça, que assessorou Zuluaga na campanha, foram pagos pela Odebrecht.

A denúncia causou nos últimos dias um cisma político no partido do ex-presidente Álvaro Uribe. A direção nacional do Centro Democrático pediu o início de uma investigação formal sobre o caso, que, segundo Martínez, foi passada ao CNE por ser a "autoridade competente".

"Temos que permitir que o CNE possa tomar uma decisão e, para isso, ele contará com a cooperação da Procuradoria, não só no caso do suposto financiamento da campanha do presidente Santos, mas também para o caso de Zuluaga", concluiu Martínez.

De acordo com o procurador-geral, testemunhas afirmaram que um dos membros da campanha de Zuluaga era o "canal de comunicação" com a Odebrecht.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos