Centro de detenção para imigrantes ilegais transgênero preocupa ativistas

Austin (EUA.), 8 fev (EFE).- Em meio à polêmica sobre os direitos das pessoas transgênero e dos imigrantes nos Estados Unidos, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) inaugurou um novo centro de detenção de imigrantes ilegais que conta com uma unidade para receber transexuais em Alvarado, no Texas.

O complexo, que se encontra cerca de 60 quilômetros ao sudoeste de Dallas, inclui uma unidade especial que conta com 36 camas para abrigar os imigrantes sem status migratório legal que se identifiquem como transexuais.

Associações que defendem os direitos da comunidade LGBT afirmam que os imigrantes transgênero enfrentam constantemente desafios particulares, entre eles um maior risco de agressão sexual, a incapacidade de conseguir tratamentos de substituição hormonal e o contato com guardas que não estão familiarizados com assuntos sobre a identidade de gênero.

A diretora da Campanha de Direitos Humanos (HRC), Sarah Warbelow, comentou que as pessoas transgênero detidas "devem ser tratadas em consonância com sua identidade de gênero, e não isoladas em função de sua condição".

Warbelow, que faz parte da maior organização de direitos civis dos Estados Unidos que trabalha para conseguir a igualdade de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, defende alternativas à detenção "devido à singular vulnerabilidade das pessoas transgênero" nestes centros.

Segundo afirmou o ICE em comunicado, o propósito da construção deste complexo é evitar que os imigrantes ilegais transgênero sejam vítimas de maus-tratos e abusos no interior dos centros de detenção, cuja maioria é operada pela empresa privada.

Um estudo divulgado no ano passado pela ONG Human Rights Watch mostrou que mais da metade das 28 mulheres detidas identificadas como transexuais ficaram retidas em centros de detenção para homens durante algum momento do processo, enquanto a outra metade permaneceu detida de maneira isolada.

Até agora, só existia um espaço em todo o território americano em Santa Ana, na Califórnia, que acolhia 28 pessoas transgênero, segundo o ICE, mas as autoridades da cidade decidiram terminar o acordo para dar espaço a mais detidos.

Para a organização Familia: Trans Queer Liberation Movement, não existe nenhum centro de detenção que possa garantir a segurança e o bem-estar de qualquer mulher transgênero sem documentos.

A encarregada da seção de detenções de transexuais sem documentos neste grupo, Jennicet Gutiérrez, lembrou que na unidade de Santa Ana foi provado que separar as pessoas transgênero detidas "não funciona", já que as denúncias de abusos sexuais e físicos "eram constantes".

Uma investigação do meio especializado "Fusion" advertiu em 2016 que as mulheres transexuais são vítimas de 20% das agressões sexuais cometidas nos centros para imigrantes, apesar de só representarem 0,2% dos detidos.

Para Gutiérrez, a única solução viável é acabar definitivamente com as detenções de imigrantes ilegais transgênero, um coletivo que, lamenta, "se sente atacado pelas autoridades".

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