Chanceler argentina revela inquietação por pedido de investigação da Justiça

Buenos Aires, 8 fev (EFE).- A chanceler da Argentina, Susana Malcorra, afirmou nesta quarta-feira que lhe causou "inquietação"o fato de um promotor pedir para investigá-la pelo uso de 1,3 milhão de pesos argentinos (US$ 82 mil) de recursos públicos para impulsionar sua candidatura à Secretaria-Geral das Nações Unidas (ONU) no ano passado.

"Se eu lhe dissesse que uma acusação na Justiça não causa inquietação seria irresponsável da minha parte. Eu tenho muito respeito pela Justiça, por isso qualquer coisa que me envolva (...) é preocupante", admitiu Malcorra em declarações a rádio "La Red".

Segundo confirmaram na última segunda-feira fontes judiciais, o promotor federal Patrício Evers pediu para investigar a titular da pasta de Relações Exteriores por causa de uma denúncia apresentada em outubro pelo advogado Denis Pitté Fletcher pelo uso de cerca de 1,3 milhão de pesos na candidatura para suceder Ban Ki-moon na ONU.

"Um meio jornalístico deu a notícia das despesas em que teria incorrido a chanceler, usando recursos públicos para viagens destinadas a sua candidatura. Eu argumentei na denúncia que isso é desvio de recursos públicos, porque o Estado não tem motivos para financiar uma candidatura particular de sua chanceler", explicou o advogado à Agência Efe.

Nesta quarta-feira, Malcorra, que revelou não conhecer os detalhes da acusação, insistiu que sua candidatura foi proposta pelo governo, apresentada pelo presidente Mauricio Macri e assinada pela maioria dos blocos parlamentares.

"Que, de repente, se questione se é algo de Estado ou é algo pessoal, é uma confusão profunda das prioridades da Argentina", criticou a chanceler, antes de destacar que, além de sua situação pessoal, o que lhe "preocupa" é como seu país é visto "no mundo".

Em maio de 2016, Macri apresentou oficialmente Malcorra como candidata à Secretaria-Geral da ONU como mais um passo para consolidar o que estabeleceu como um de seus objetivos de governo: a abertura do país para o mundo.

A candidatura da chanceler, de 62 anos, aconteceu cinco meses após ela assumir como ministra e deixar seu cargo como chefe de gabinete de Ban Ki-moon, secretário que recentemente deixou seu cargo na ONU.

Finalmente, em outubro o ex-primeiro-ministro português António Guterres foi eleito secretário-geral da ONU, cargo que assumiu em janeiro.

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