Chefe de Estado filipino chama ex-presidente da Colômbia de "idiota"

Manila, 8 fev (EFE).- O chefe de Estado das Filipinas, Rodrigo Duterte, chamou nesta quarta-feira de "idiota" o ex-presidente da Colômbia, César Gaviria, depois que este pediu, em um artigo de imprensa, que abandonasse sua polêmica campanha linha dura de combate às drogas, porque a mesma não funciona.

Gaviria "quis dar lições para mim. Este idiota", disse Duterte em Manila durante um discurso transmitido pela televisão para comemorar o 115º aniversário da fundação do departamento alfandegário das Filipinas.

O ex-presidente da Colômbia, que exerceu seu mandato entre 1990 e 1994, pediu a Duterte, em artigo de opinião publicado pela edição em espanhol do jornal americano "The New York Times", que não repetisse os erros que ele cometeu em seu país e advertiu ao filipino que a linha dura não dá resultados e leva a custos humanos "enormes".

Para refutar a tese de Gaviria, Duterte mencionou as diferenças entre a cocaína, a substância produzida e negociada pelos cartéis colombianos, e a metanfetamina hidroclorídrica ou "shabu", um potente alucinógeno muito popular entre as classes pobres das Filipinas.

"A cocaína é mais ou menos como a maconha. As pessoas conseguem se comunicar. Mas com o shabu... só o fato de que o produto é misturado com água de bateria dá uma indicação do que acontece dentro do cérebro (do usuário)", disse Duterte.

"Recebi muitas lições e comunicados e críticas. No entanto, se não controlarmos as drogas e o número (de dependentes) chegar a 4,5 milhões, os filipinos serão reduzidos à escravidão", advertiu o chefe de Estado, ao enfatizar que o shabu transforma os usuário em "escravos".

Gaviria governou durante os anos mais duros da guerra contra as drogas na Colômbia, país que foi durante décadas o maior produtor de cocaína do mundo.

Durante seu mandato, o então líder do temido cartel de Medellín, Pablo Escobar, foi preso, mas conseguiu escapar, e finalmente acabou sendo morto pelas forças de segurança quando fugia pelo telhado de uma casa em um bairro em Medellín.

O uso de insultos para desqualificar aqueles que o criticam não é algo novo para Duterte, que já chamou Barack Obama de "filho da p..." quando este ocupava a Casa Branca e recentemente usou o mesmo termo para se referir aos bispos das Filipinas.

Duterte acredita que a dependência às drogas de aproximadamente 4 milhões de filipinos, segundo seus dados, que algumas organizações consideram inflados, é o principal problema do país e a maior ameaça às futuras gerações.

Assim, quando chegou ao poder, o presidente iniciou uma agressiva campanha "antidrogas", que já deixou mais de 7 mil mortos, dos quais pelo menos 2.500 correspondem a suspeitos executados em operações policiais.

Atualmente, a campanha está suspensa para "limpar" a polícia de agentes corruptos, mas a intenção de Duterte é prolongá-la até o fim de seu mandato, em 2022.

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