Cruz Vermelha suspende operações no Afeganistão após ataque contra comboio

Genebra, 8 fev (EFE).- O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou nesta quarta-feira a suspensão temporária de suas operações no Afeganistão após sofrer a pior tragédia em 20 anos no país centro-asiático, com a morte de seus seis de seus integrantes e o desaparecimento de outros dois em um ataque contra um de seus comboios.

"Suspendemos a operação por enquanto porque necessitamos entender o que ocorreu exatamente e respeitar também a dor (das famílias das vítimas)", declarou à Agência Efe a porta-voz do CICV, Anastasia Isyuk.

Quase um mês depois da libertação de um funcionário espanhol da Cruz Vermelha que permaneceu sequestrado durante quatro semanas, um grupo de seus voluntários foi interceptado enquanto levava penso para animais na província nortista afegã de Jawzjan, uma área controlada por insurgentes e delinquentes na qual, segundo informou a polícia, só esta organização humanitária pode entrar.

O chefe de polícia de Jawzjan, Rahmatullah Turkistani, confirmou à Efe que os mortos são de nacionalidade afegã e informou que os corpos já foram recuperados e entregues ao representante do CICV nesta região.

"Os insurgentes interceptaram os comboios e dispararam contra os funcionários do CICV, incluindo os três motoristas", disse.

Turkistani afirmou que o ataque foi realizado por "militantes" do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que por enquanto não se responsabilizou pela ação.

Os talibãs, por sua parte, se desvincularam do ataque, que atribuíram a um grupo de "sequestradores", uma definição que este grupo insurgente utiliza em algumas ocasiões para referir-se ao EI, com o qual está enfrentado.

O CICV condenou o ataque "desprezível" e "deliberado" contra os trabalhadores humanitários da organização.

O presidente da organização, Peter Maurer, disse em comunicado que se encontra em "estado de choque" após ter sido informado da "grande tragédia".

Por sua vez, a diretora da delegação afegã da organização humanitária, Monica Zanarelli, definiu o ataque como "um ato desprezível".

"Nada pode justificar a morte de nossos companheiros e amigos", lamentou.

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