Exército assume a segurança após 90 mortes em clima de caos no ES

Vitória, 8 fev (EFE).- As Forças Armadas assumiram a segurança no estado do Espírito Santo nesta quarta-feira, após 90 mortes, saques e assaltos em um clima de caos provocado por um protesto de famílias que bloqueiam os portões dos batalhões da Polícia Militar para pedir reajuste salarial à categoria, que não pode fazer greve.

Caminhões militares patrulham pelas ruas da capital, Vitória, que amanheceu deserta e com a maioria dos estabelecimentos fechados por medo da violência e dos saques. Grande parte dos colégios, das universidades e dos centros médicos também permanecem fechados e só algumas linhas de ônibus funcionam.

O governo do Espírito Santo publicou nesta quarta-feira um decreto no qual transfere o controle da segurança pública às Forças Armadas até o próximo dia 16 e acusa os policiais em greve de "chantagear" a sociedade com o protesto.

"É uma chantagem aberta, é a mesma coisa que sequestrar o direito do cidadão capixaba e cobrar resgate", denunciou o governador do Espírito Santo, Pablo Hartung.

Parentes e representantes dos agentes mantêm bloqueadas as saídas dos quartéis desde sábado porque os policiais militares não podem se manifestar nem fazer greve por estarem sob o regulamento do Exército.

O protesto corresponde a uma exigência de melhoras salariais e das condições de trabalho para os 10 mil agentes, que recebem um salário base de R$ 2.642 e estão há três anos sem aumento.

"Estamos protestando não só pelo salário, mas pelas péssimas condições que são oferecidas à Polícia Militar para fazer seu trabalho. Carros desmantelados, sem combustível, equipamentos velhos. Nossa reivindicação é que o governo nos atenda, queremos conversar. Não aceitamos que nos mandem para casa para depois conversar", denunciou Euzy Esteva, esposa de um policial militar.

A paralisação da PM gerou uma onda de violência desde o fim de semana que o governo local tentou conter com ajuda das Forças Armadas, que começaram a atuar em Vitória na noite de segunda-feira.

No entanto, a presença de 1,2 mil soldados do Exército e da Guarda Nacional não conseguiu acabar com os incidentes violentos que deixaram pelo menos 90 vítimas, entre elas um policial civil que foi enterrado nesta quarta-feira.

O caso do Espírito Santo disparou o alerta em outros estados que atravessam problemas financeiros, especialmente o Rio de Janeiro, afundado em uma grave crise que se traduziu em ajustes e atrasos no pagamento dos salários aos funcionários públicos, inclusive a polícia.

Em meio a rumores sobre uma possível convocação de greve dos policiais, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, anunciou que o pagamento dos salários dos agentes será regularizado nesta semana com um aumento de 10,22% para compensar a inflação.

A direção da Polícia Militar no Rio de Janeiro emitiu um comunicado no qual admite que os protestos para conseguir melhoras nas condições trabalhistas são legítimas, mas pede aos agentes que reflitam sobre as consequências de uma possível paralisação das atividades.

"A quem interessa a barbárie?", afirma o comunicado, que adverte que a ausência da polícia "causaria males incalculáveis e irreparáveis".

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