Governo sírio nega veracidade de relatório da AI sobre enforcamentos

Beirute, 8 fev (EFE).- O governo da Síria negou a veracidade do relatório publicado pela Anistia Internacional (EI), no qual a ONG denuncia uma campanha extrajudicial de enforcamentos coletivos na prisão de Saidnaya, orquestrada pelas autoridades.

Em comunicado, divulgado nas últimas horas pela agência de notícias oficial "Sana", o Ministério da Justiça sírio afirmou que se trata de "uma notícia falsa, porque as execuções na Síria não são ditadas até passarem por vários períodos judiciais em um tribunal".

O regime sírio destacou que, com essas informações, o objetivo do relatório é prejudicar a reputação do país árabe nos fóruns internacionais, especialmente "após as conquistas do Exército Árabe Sírio e a derrota dos grupos terroristas armados, que caminham paralelamente às reconciliações nacionais".

Segundo o Ministério da Justiça sírio, "com essas calúnias, a intenção é conseguir o que esses grupos não conseguiram".

No texto, as autoridades sírias defenderam a independência dos juízes, que, sugundo elas, estão afastados da política.

Para o Ministério, "a mera menção de que houve execuções é uma prova flagrante da falta de verdade demonstrada pelos meios de comunicação".

A nota acrescentou que foram "grupos terroristas armados" os que executaram vários juízes conhecidos e sequestraram clérigos e civis, que não fizeram mais do que ter uma afiliação distinta da desses grupos.

Além disso, o regime se queixou que alguns veículos de imprensa publicaram entrevistas com vários antigos detentos que estiveram em Saidnaya e em outras prisões, que garantiram que tinham sido torturados e que agora estão fora da Síria.

No entanto, o Ministério da Justiça sírio afirmou que "se o que a AI diz é verdade, por que essas pessoas não foram executadas pelas autoridades e colocadas em liberdade?".

Em seu relatório, a AI afirmou que cerca de 13 mil pessoas, a maioria civis que acredita-se que eram opositores, podem ter sido executados nos últimos cinco anos na prisão de Saidnaya em uma campanha extrajudicial de enforcamentos coletivos.

A este respeito, a AI destacou que nenhum dos enforcados recebeu nada parecido a um julgamento real, já que apenas compareciam por um ou dois minutos diante do que se denomina uma Corte Militar de Campanha, fora do sistema judiciário sírio.

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