Maia convocará reunião parlamentar regional sobre autoritarismo na Venezuela

Brasília, 8 fev (EFE).- O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, recebeu nesta quarta-feira o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges, e anunciou que convocará uma reunião parlamentar latino-americana sobre o autoritarismo do governo de Nicolás Maduro.

"O presidente da assembleia trouxe a informação sobre a gravidade da situação, que preocupa e muito os democratas de toda a América Latina. Por isso, promoveremos um debate regional em nível parlamentar para ajudar que a Venezuela possa restituir sua democracia", disse Maia aos jornalistas.

Recém-eleito ao cargo de presidente da Câmara e membro da base aliada do presidente Michel Temer, Maia manifestou seu "protesto" contra as decisões das autoridades venezuelanas que impediram vários deputados da Assembleia Nacional de saírem do país.

"Queremos denunciar a gravidade do fato de retirar o passaporte de um deputado, inclusive o do presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional, Luis Florido", disse Maia em entrevista coletiva ao lado de Borges.

O presidente do parlamento venezuelano, por sua vez, manifestou a preocupação da oposição pela demora das autoridades eleitorais para fixar as datas dos pleitos de governadores e prefeitos.

O primeiro deles deveria ter ocorrido em dezembro, mas o Conselho Nacional Eleitoral o atrasou para o fim do primeiro trimestre deste ano. Já os novos prefeitos devem ser escolhidos pela população ainda em 2017, sem nenhuma data definida.

"Pedimos apoio para a realização dessas eleições, para que sejam livres e democráticas, e também para que a Assembleia Nacional possa ter a força dada por 75% do eleitorado", declarou Borges, acusando o governo de Maduro de "desconhecimento" do Legislativo.

Maia indicou que esses assuntos serão tratados na reunião que ele pretende organizar com os "parlamentos democráticos" da América Latina. No entanto, o presidente da Câmara explicou que ainda não tem uma data prevista para o encontro porque será necessário fazer uma série de consultas antes de convocá-lo.

Borges também será recebido hoje pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira, e pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra. O presidente da Assembleia Nacional disse à Agência Efe que agradecerá pela "postura dos democratas brasileiros" contra o "autoritarismo que impera na Venezuela".

O parlamentar venezuelano chegou a Brasília um dia após divulgar uma carta que recebeu de Temer, que informava que o governo de Maduro tinha rejeitado um carregamento de remédios que o Brasil estava disposto a enviar como ajuda humanitária.

"Oferecemos ajuda humanitária, em particular, inclusive pela doação de remédios. Infelizmente, a oferta não foi aceita", escreveu Temer na carta, datada em 3 de fevereiro.

Temer afirmou que o governo brasileiro, considerado como "de facto" por Caracas, segue disposto a contribuir na medida do possível para aliviar a grave crise vivida pela Venezuela, sempre respeitando a soberania do país vizinho.

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