Moradores questionam impacto de frequentes viagens de Trump a Palm Beach

Miami, 8 fev (EFE).- A anunciada visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a sua mansão em Palm Beach, na Flórida, pelo segundo fim de semana seguido, preocupa as autoridades e alguns empresários da região pelo impacto que essas viagens geram nos cofres públicos e no setor de aviação.

O empresário Jonathan Miller explicou à Agência Efe que a última visita de Trump fez com que sua companhia, a Stellar Aviation, deixasse de faturar US$ 30 mil. Se essa situação persistir, ele calcula que o prejuízo pode chegar a US$ 1 milhão por ano.

O Aeroporto de Lantana é operado pela Stellar Aviation e está a 24 quilômetros de Mar-a-Lago, propriedade de Trump em Palm Beach. Quando ele está na mansão, Miller é obrigado a fechar o local devido às restrições ao tráfego aéreo para proteger o presidente.

Por enquanto, o empresário não pensa em entrar com uma ação legal, porque conta com o apoio das autoridades do condado de Palm Beach e confia que elas possam ajudá-lo a resolver a situação.

De acordo com o jornal "Sun Sentinel", os membros da comissão do condado trataram do assunto em reunião realizada ontem, mesmo dia em que foi feito o anúncio de que Trump estará no próximo fim de semana em Mar-a-Lago com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe.

Os dois se hospedarão na enorme propriedade litorânea adquirida por Trump em 1985 e hoje transformada em um seleto clube. Trump já chamou o local de "Casa Branca de inverno", apesar de a mansão não ser considerada como residência oficial da presidência dos EUA.

"Aqui se trata de proteger um presidente quando visita sua casa, uma categoria diferente da típica visita presidencial", afirmou administrador-adjunto do condado, Todd Bonlarron, após a reunião da comissão, segundo o "Sun Sentinel".

Philip Salm, porta-voz do condado, disse hoje à Efe que ainda não calculou o impacto das visitas presidenciais à região. No entanto, o "Sun Sentinel" afirmou que, durante o ferido de Ação de Graças, quando Trump, já eleito, esteve em Mar-a-Lago por cinco dias, o escritório do xerife da região gastou US$ 250 mil em segurança.

Segundo a imprensa local, os membros da comissão estudam uma maneira de conseguir o reembolso das despesas para proteger Trump e também sobre como compensar os negócios afetados pelas restrições.

Um dos mais afetados parece ser Miller. O empresário disse que as visitas presidenciais estão o arruinando, mas confia nas negociações entre o condado e o Serviço Secreto para relaxar a restrição aérea.

O site "MyPalmBeachPost" indicou hoje que duas escolas de pilotagem de aviões que têm espaços alugados no aeroporto não podem funcionar quando o presidente está na região.

O comissário Dave Kerner, em declarações reproduzidas pelo "Sun Sentinel", indicou que uma possível solução seria estabelecer um corredor de restrição de voo sobre a mansão. Dessa forma, as aeronaves podiam partir para o sul do aeroporto, mas a medida deve ser aprovada pelo Serviço Secreto.

O democrata Lois Frankel, membro da Câmara dos Representantes, disse ao "MyPalmBeachPost" que o prejuízo ao setor de aviação é "terrível". "Uma coisa seria se Trump visitasse Palm Beach duas vezes ao ano, como Barack Obama fazia ao ir ao Havaí, mas outra muito diferente é se são duas vezes ao mês", afirmou.

Trump esteve em Mar-a-Lago entre sexta-feira e a última segunda-feira, quando viajou para Tampa, também na Flórida, para visitar uma base aérea, de onde seguiu para Washington.

Há quem se beneficie com as visitas presidenciais. O diretor do Discover The Palm Beaches, Joe Cárdenas, disse que Trump pode impulsionar o turismo na região. Apesar de ainda não haver números que confirme a tendência, ele afirmou à Efe que já começa a observar um aumento no interesse dos turistas.

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