Berlim é condenada por discriminar professora muçulmana por usar véu

Berlim, 9 fev (EFE).- O tribunal do trabalho de Berlim-Brandemburgo condenou nesta quinta-feira as autoridades da capital alemã a indenizar uma professora muçulmana que não foi contratada por usar véu.

Segundo o tribunal, essa discriminação só poderia ser admissível se usar o véu representasse um "perigo concreto para a paz escolar", algo que não pôde ser provado pelo governo de Berlim.

A mulher, que tinha perdido em primeira instância, deverá ser indenizada com o valor de dois salários mensais - 8.680 euros -, embora a sentença ainda possa ser recorrida.

Em declarações recolhidas pela emissora regional pública "rbb", o novo titular de Justiça de Berlim, Dirk Behrendt, considerou que se trata de uma decisão positiva para lutar contra a discriminação e declarou, além disso, que é "o princípio do fim da lei de neutralidade" da cidade, que proíbe usar símbolos religiosos nas escolas, na polícia e nos organismos judiciais.

A resolução voltou a suscitar na Alemanha o debate sobre a presença de símbolos religiosos nas salas de aula, regulada de maneira diferente nos diferentes governos federados.

O comissário do governo berlinense para a Integração, Andreas Germershausen, elogiou a decisão e disse confiar que seja a base para uma revisão da lei de neutralidade berlinense, de modo que se permita o uso do véu nos colégios como em outras instituições públicas.

"Para as mulheres com véu que vivem em Berlim e para as responsáveis das associações muçulmanas e das iniciativas contra a discriminação hoje é um bom dia, já que a sentença envia a clara mensagem que não se pode discriminar ninguém por usar um lenço na cabeça", declarou em comunicado.

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