Empresário nega dinheiro da Odebrecht em campanha do presidente da Colômbia

Bogotá, 9 fev (EFE).- O empresário Andrés Giraldo, a quem o ex-senador Otto Bula, que foi detido por receber propina da construtora Odebrecht, disse ter entregue US$ 1 milhão procedentes desse montante para a campanha eleitoral do presidente da Colômbia Juan Manuel Santos, negou nesta quinta-feira ter recebido esse dinheiro.

"Estou disposto a me submeter a um detector de mentiras. Não recebi dinheiro de Otto Bula", disse Giraldo em uma entrevista à emissora "Blu Radio", na qual reconheceu que manteve uma reunião com o ex-senador, mas negou que tivessem conversado sobre a campanha eleitoral.

O procurador-geral da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, disse ontem que Bula afirmou ter entregue esse US$ 1 milhão, dos US$ 4,6 milhões que o ex-senador recebeu como propina, a Roberto Prieto, chefe da campanha para a reeleição do presidente Juan Manuel Santos em 2014, através de Andrés Giraldo.

O escândalo de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht também atingiu o candidato do partido Centro Democrático - que é liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe - em 2014, Óscar Iván Zuluaga.

Segundo revelou recentemente a revista "Veja", parte dos honorários do publicitário Duda Mendonça, que assessorou Zuluaga na campanha, foram pagos pela Odebrecht.

Giraldo também afirmou que, em sua reunião, "não houve conversas sobre nenhum projeto viário, sobre nenhuma estrada".

As investigações na Colômbia se concentram nos milionários contratos obtidos pela Odebrecht para a construção da estrada Rota do Sol II, que liga o centro ao norte do país, e que ainda não foi concluída, e para as obras de melhoria da navegabilidade do rio Magdalena, o principal da Colômbia.

No entanto, também envolvem uma obra contratada pela Empresa de Aqueduto de Bogotá, na qual também foram detectadas irregularidades.

Pelas propinas pagas pela Rota do Sol II estão detidos, além de Bula, o ex-vice-ministro dos Transportes colombiano, Gabriel García Morales, que é acusado de ter recebido US$ 6,5 milhões.

Prieto, por sua vez, concedeu uma entrevista ao jornal colombiano "El Tiempo" na qual reconheceu que conhece Giraldo "há mais de 20 anos".

"É um dos meus amigos pessoais. E digo uma coisa: não mandei ele, nem ninguém, receber dinheiro em meu nome, e menos ainda diante de um senhor como Bula", afirmou o ex-chefe da campanha de Santos.

No entanto, Prieto negou que o empresário não tivesse "qualquer vínculo" com a campanha presidencial de 2014.

Prieto ressaltou que, durante o tempo que durou a campanha eleitoral, sequer viu Giraldo, pois o ritmo "é tão frenético que as pessoas se afastam não só dos amigos, mas até da família".

Em referência ao encontro mantido entre o empresário e Bula, Prieto assegurou que "não pode ter havido entrega de dinheiro".

"Andrés me disse que Bula o contactou e se reuniu com ele para pedir, se aproveitando de nossa relação de amizade, que eu lhe fizesse um favor. E eu perguntei: 'quem é esse senhor?' E quando buscamos informações sobre ele na internet, não gostamos nada do que vimos. Disse a Andrés: 'devemos nos manter a quilômetros desse senhor'", destacou o ex-chefe da campanha de Santos.

Segundo Prieto, a mensagem enviada por Bula através do empresário era para que ele o apoiasse "com o projeto de um aqueduto", o que "obviamente não foi feito".

"Os recursos da campanha foram produto de um crédito do Banco da Colômbia, que ficou cancelado com a reposição dos votos obtidos no primeiro e no segundo turno", acrescentou Prieto.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou que iniciará uma investigação sobre "se foi omitida a notificação de alguma despesa de campanha" e se houve descumprimento "da proibição expressa que um governo, pessoa jurídica ou natural do estrangeiro, faça contribuições a campanhas de caráter nacional".

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