Fillon pede anulação de causa por corrupção por violar direitos fundamentais

Paris, 9 fev (EFE).- Os advogados do candidato conservador à presidência francesa, François Fillon, e de sua esposa Penelope pediram nesta quinta-feira a anulação da causa por corrupção contra seu cliente ao considerar que "viola seus direitos fundamentais".

"Pedimos à Procuradoria Nacional Financeira que abandone a investigação", indicou o advogado de Fillon, Antonin Lévy, em entrevista coletiva.

O advogado afirmou que essa instância, criada a pedido do presidente francês, François Hollande, após a aparição do primeiro caso de corrupção em seu governo para se dedicar de forma específica a esses crimes, não é competente para investigar os trabalhos de um parlamentar no exercício de suas funções.

A Procuradoria Financeira investiga as possíveis irregularidades no suposto trabalho exercido durante anos pela esposa e dois filhos de Fillon como seus assistentes parlamentares, reveladas pelos veículos de imprensa e que fizeram o candidato conservador cair nas pesquisas.

Mas os advogados de Fillon, ex-primeiro-ministro da França, disseram que o crime de desvio de fundos "não pode ser afrontado por um parlamentar pelo exercício de suas funções".

"Teria que ser a mesa da Assembleia Nacional o órgão responsável pela investigação", afirmou Pierre Cornut-Gentille, outro advogado de Fillon.

Além disso, os advogados disseram que a investigação interfere nas eleições presidenciais francesas, cujo primeiro turno será realizado em abril, o que, segundo sua opinião, rompe o princípio da separação de poderes.

"Este processo está desnaturalizando uma reunião essencial para os franceses, fundamental em nossas instituições", afirmou Lévy.

Por outro lado, o advogado denunciou as constantes "filtragens insuportáveis" à imprensa de elementos de um caso que está sob o segredo de justiça e que estão "transformando um processo jurídico em um midiático".

"Todas as filtragens são contra meu cliente, em nenhum caso há filtragens quando colabora com a justiça ou quando a senhora Fillon demonstra que trabalhou para seu marido", indicou.

A natureza dessas filtragens, acrescentou, nos fazem "duvidar da imparcialidade de um ou vários dos investigadores".

Segundo a publicação "Le Canard Enchaîné", Penelope Fillon recebeu 900 mil euros brutos como assistente parlamentar de seu marido, valor pago com dinheiro público, e como colaboradora de "La Revue dês Deux Limpes" entre 2012 e 2013, e os dois filhos do candidato, Charlie e Marie, embolsaram durante dois anos entre 3 mil e 4 mil euros mensais líquidos quando eram ainda estudantes de Direito.

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