Presidente do Panamá nega ter recebido doações da Odebrecht durante campanha

Cidade do Panamá, 9 fev (EFE).- O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, negou nesta quinta-feira que tenha recebido doações da construtora brasileira Odebrecht durante a campanha que o levou ao poder em 2014.

Varela anunciou nesta quinta-feira que publicará no site do Partido Panameñista uma "cópia autenticada das doações" privadas que recebeu e que "nessa lista não existem doações da empresa Odebrecht".

O ex-ministro conselheiro de Varela e sócio do polêmico escritório Mossack Fonseca, Ramón Fonseca Mora, garantiu nesta quinta-feira que o próprio presidente panamenho lhe disse que havia "aceitado doações de Odebrecht porque não se podia brigar com todo o mundo".

Fonseca Mora fez essa revelação antes de comparecer perante a procuradoria por seu suposto envolvimento com casos investigados pela Operação Lava Jato no Brasil, caso pelo qual foi indiciado por lavagem de capitais junto com seu sócio, Jürgen Mossack e outras duas pessoas, que não foram identificadas.

"Estão buscando um bode expiatório, alguém que desvie a atenção e eu gostaria de dizer à senhora procuradora (procuradora- geral, Kenia Porcell) que talvez ela tenha sido enganada igual a mim, que, por favor, investigue de verdade a Odebrecht no Panamá", declarou Fonseca Mora.

O presidente panamenho respondeu nesta quinta-feira a perguntas de jornalistas que "as declarações do meu amigo, o senhor Fonseca, enviam uma mensagem clara ao país que a Justiça é independente e que este presidente não está protegendo ninguém".

"Eu sinto que as declarações de Ramón se dão em momentos difíceis que está passando e eu não vou entrar nesse debate", completou.

Em declaração oficial lida à imprensa, Varela afirmou que "as doações recebidas em minha campanha são contribuições políticas, não são subornos", e que "nem um dólar" desses recursos foi utilizado para seu benefício pessoal ou o de sua família.

"Ainda neste momento mantenho dívidas da minha campanha política (...), situação radicalmente diferente aos casos que se tornaram públicos sobre fundos e dinheiros cautelados em contas de bancos na Suíça e outros países de supostos subornos", indicou Varela ao ler a declaração oficial, que não menciona a Odebrecht.

Varela destacou que as leis locais atuais não o obrigam a revelar as doações privadas das campanhas, mas que assim fará por seu "compromisso com a transparência", e acrescentou que "as circunstâncias exigem que os demais candidatos presidenciais" com os quais concorreu "façam o mesmo".

Sobre a denúncia de Fonseca Mora sobre a suposta supervalorização dos custos do projeto da terceira etapa da orla marítima da capital, conhecida como Cinta Costera e que foi construída pela Odebrecht, o presidente respondeu que corresponde ao Ministério Público fazer a investigação.

A chamada Cinta Costera III foi construída pela Odebrecht por pelo menos US$ 776,9 milhões, mas seu custo real era de entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões segundo os cálculos de uma empresa chinesa, disse nesta quinta-feira Fonseca Mora.

"Neste momento as obras feitas em governos anteriores da empresa Odebrecht estão sendo investigadas. As duas obras licitadas em meu governo (a linha 2 do metrô e a renovação da cidade de Colón) estão abertas a qualquer auditoria da sociedade civil", sustentou o presidente panamenho.

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