Procuradoria panamenha indicia Mossack Fonseca por casos ligados a Lava Jato

Cidade do Panamá, 9 fev (EFE).- A procuradoria do Panamá formulou nesta quinta-feira acusações de lavagem de capitais contra os sócios principais do escritório Mossack Fonseca por seu suposto envolvimento com casos investigados pela Operação Lava Jato no Brasil.

A procuradora-geral do país, Kenia Porcell, disse hoje em entrevista coletiva que as acusações afetam Ramón Fonseca Mora, Jürgen Mossack e outras duas pessoas, que não identificou.

"A informação coletada identifica o escritório panamenho supostamente como uma organização criminosa que se dedica a ocultar ativos e dinheiro de origens suspeitas criando estruturas corporativas e financeiras", declarou a procuradora.

Segundo Porcell, o escritório de advogados dava instruções a seu "encarregado" no Brasil para "ocultar documentos e eliminar evidências" e fazer com que o dinheiro "proveniente do suborno" retornasse "lavado ao Panamá".

A procuradora-geral também afirmou que a formulação de acusações é fruto de uma investigação conjunta com as procuradorias de outros países, entre eles Brasil, Suíça e Estados Unidos, que durou cerca de um ano.

Os escritórios da Mossack Fonseca, que é alvo de outra investigação pelos chamados Panama Papers, foram revistados nesta quinta-feira e seus dois sócios compareceram de maneira voluntária para depor na procuradoria por seu suposto envolvimento nos casos investigados pela Lava Jato.

Antes de entrar nas instalações do Ministério Público, onde ainda permanecem os dois sócios do escritório, Fonseca Mora acusou o presidente panamenho, Juan Carlos Varela, de ter recebido durante a campanha eleitoral de 2014 "doações" da Odebrecht, envolvida em um megaescândalo de subornos em diferentes países da América Latina.

"Essas são afirmações que foram feitas em veículos de comunicação e que terão que ser formalizadas perante as autoridades competentes (...). Toda pessoa, quando faz algum assinalamento, tem que incorporar essas afirmações dentro dos processos que correspondem", esclareceu Porcell.

Fonseca Mora também acusou a procuradoria de usá-lo como "bode expiatório", de abordar as investigações com lentidão e de maneira arbitrária, e de deixar-se manipular pelo governo.

"O Ministério Público é uma instituição independente. Eu sou independente na tomada de cada uma das minhas decisões e o Órgão Executivo, neste caso na figura do senhor presidente da República, sempre respeitou cada uma das investigações", garantiu a procuradora-geral.

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