Assad tacha de "falso" relatório da AI sobre execuções em prisões sírias

Madri, 10 fev (EFE).- O presidente da Síria, Bashar al Assad, qualificou de "falso" o recente relatório da Anistia Internacional (AI) sobre supostas execuções maciças em prisões sírias e afirmou que o mesmo foi fabricado pela ONG para desacreditar seu governo.

"Estamos vivendo uma era de falsas notícias", disse Assad em entrevista divulgada nesta sexta-feira pelo site "Yahoo! News", ao se referir ao relatório da AI que estima que entre cinco e 13 mil prisioneiros morreram em uma campanha de "execuções extrajudiciais" em uma prisão militar perto de Damasco entre os anos de 2011 e 2015.

O líder sírio insistiu que os Estados Unidos não têm base para condenar a Síria por abusos de direitos humanos, ao lembrar a invasão do Iraque por tropas americanas e seu apoio à Arábia Saudita, um país que, segundo Assad, "decapita prisioneiros".

O presidente sírio também advertiu a administração de Donald Trump sobre o possível envio de tropas americanas a território sírio para a luta contra o Estado Islâmico, algo que não poderá fazer sem sua aprovação.

Além disso, Assad rejeitou a ideia defendida por Trump de estabelecer "zonas seguras" na Síria, uma iniciativa que qualificou de "pouco realista".

O presidente sírio se mostrou esperançoso diante da possibilidade de iniciar um período de cooperação com os EUA, mas isto só poderia acontecer, em sua opinião, se, previamente, houver uma aproximação entre Washington e Moscou, um dos principais aliados de Assad.

Perguntado sobre as fotografias de torturados e corpos em centros de detenção na Síria, que serviram de base para uma denúncia apresentada contra ele na Audiência Nacional da Espanha, Assad sugeriu que as mesmas foram manipuladas.

Além disso, ao ser questionado por um relatório do FBI (a polícia federal investigativa dos EUA) que conclui que tais fotografias não foram editadas, o presidente sírio assegurou: "se o FBI diz, isto não é uma evidência para ninguém, especialmente para nós" e considerou que "trata-se apenas de propaganda".

"Se você levar estas fotos a qualquer tribunal de nosso país, seria possível condenar algum criminoso por isto?, Poderiam lhe dizer qual é este crime, quem o cometeu? Se não há um quadro completo, não se pode fazer um julgamento. É apenas propaganda", reiterou Assad.

A denúncia acusa o presidente sírio de crime de terrorismo contra a população civil e foi apresentada na semana passada em Madri por uma espanhola pela suposta detenção ilegal, tortura e execução em 2013 de seu irmão, de nacionalidade síria.

Segundo o processo, o Estado sírio elaborou um plano destinado a acabar com os protestos e qualquer tipo de dissidência mediante detenções, desaparições forçadas, tortura e execuções sistemáticas, em resposta às manifestações da chamada Primavera Árabe que começaram em março de 2011.

Como resultado da tortura e das terríveis condições de detenção, milhares de detidos morreram nesses centros e outros foram executados, segundo a denúncia.

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