Parlamento deve eleger Steinmeier como presidente da Alemanha neste domingo

Rodrigo Zuleta.

Berlim, 10 fev (EFE).- A Assembleia Federal da Alemanha, formada por parlamentares e representantes dos estados federados, deve escolher neste domingo Frank-Walter Steinmeier como o novo presidente do país.

O novo ocupante do posto, que tem um caráter fundamentalmente representativo e é ocupado atualmente pelo ex-pastor luterano Joachim Gauck será, a não ser por uma grande surpresa, o ex-ministro das Relações Exteriores, político social-democrata e candidato de consenso da grande coalizão. A Assembleia, que se reúne apenas de cinco em cinco anos para a votação do presidente, é composta por 1.260 delegados, sendo uma metade de deputados do Bundestag (câmara baixa do Parlamento) e a outra de pessoas escolhidas por parlamentares dos legislativos regionais, formando um grupo bastante eclético.

Os partidos não se limitam a escolher políticos de carreira e costumam recorrer a personalidades de diversos âmbitos da vida alemã, da cultura ao esporte. Um dos exemplos é Joachim Löw, o técnico da seleção da Alemanha. Ele aceitou ser delegado do grupo parlamentar do partido Os Verdes em Baden-Württemberg.

Outras duas figuras desse diverso grupo são Semiya Simsek, filha de uma vítima do terrorismo ultradireitista, que representará a Esquerda, e a drag queen Olivia Jones, proposta pelos Verdes na Baixa Saxônia.

A escolha dos delegados é também um recurso dos partidos para mostrar quais personalidades da vida pública existe certo grau de identificação.

Entre os delegados do mundo do esporte estão também o presidente do Borussia Dortmund, Reinhard Rauball; a árbitra Bibiana Steinhaus e a campeã olímpica de esgrima em Pequim 2008, Britta Heidemann. Todos propostos pelo Partido Social-Democrata.

Humoristas também estão representados em bom número na Assembleia. O mais conhecido talvez seja Hape Kerkeling, designado pela União Democrata-Cristã (CDU), partido da chanceler Angela Merkel. Também há atores e atrizes, como Veronica Ferres e Christine Urspruch; escritores, como o turco-alemão Feridun Zaimoglu; cantores, como Peter Maffay, e artistas, como Günther Uecker.

O partido populista de direita Alternativa pela Alemanha (AfD) incluiu em seu grupo Dieter Stein, diretor da revista "Junge Freiheit", que já foi apontado como ultradireitista em relatórios dos serviços secretos.

A escolha do presidente vai acontecer no plenário do Bundestag, que passou por uma modificação provisória para dar lugar aos 1.260 delegados, com voto secreto e sem discursos prévios. Embora possa ter até três votações, nesta ocasião a expectativa é que Steinmeier seja eleito na primeira com maioria absoluta, já ele tem apoio de conservadores, social-democratas, do Partido Liberal e dos Verdes.

As forças da grande coalizão - a CDU de Merkel, junto com sua ala bávara da União Social-Cristã (CSU) e do Partido Social-Democrata (SPD) - somam 923 delegados, claramente acima da maioria absoluta.

Os outros candidatos em disputa - Christoph Butterwege, pela Esquerda; Engelbert Sonneborn, pelo partido Pirata; Albrecht Glaser, pela AfD; e Alexander Hold, pelo Eleitores Livres - têm mero caráter testemunhal.

As funções do presidente alemão são majoritariamente representativas, o que respondeu ao desejo dos pais da Constituição de evitar que fosse criado um sistema presidencialista que minasse a democracia parlamentar, como aconeceu durante a República de Weimar.

Algumas pesquisas indicam que cerca de 70% dos alemães é favorável a uma eleição presidencial direta, mas os especialistas defendem que isso só se justificaria caso essa função fosse dotada de mais competências.

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