Foragido, ex-presidente do Peru avalia pedir habeas corpus em caso Odebrecht

Lima, 11 fev (EFE).- O ex-presidente peruano Alejandro Toledo, foragido e com uma ordem de busca e captura internacional, avalia entrar com um pedido de habeas corpus para deixar sem efeito a prisão preventiva solicitada pela Justiça do Peru.

O advogado de Toledo, Heriberto Benitez, um polêmico ex-deputado que assumiu a defesa do ex-presidente nesta semana, disse ao jornal "Correo" que está mantendo contato por telefone com seu cliente.

Os dois conversaram sobre quais medidas legais tomar. Eles estudam entrar com um recurso em uma instância judicial superior para tentar anular o pedido de prisão preventiva contra Toledo.

A Justiça do Peru considerou na última quinta-feira que há evidências suficientes para deter Toledo e mantê-lo até 18 meses em prisão preventiva. O ex-presidente é acusado de ter favorecido a construtora brasileira Odebrecht em licitações no país.

Toledo está sendo investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Segundo a denúncia, ele recebeu US$ 20 milhões em propina da Odebrecht.

"Tenho uma reunião com uma equipe de advogados que avaliará o habeas corpus, para vermos pontos positivos e negativos. Mas ele tem como objetivo deixar sem efeito a resolução do juiz Richard Concepción que ordena a prisão e convocar uma nova audiência", disse o ex-deputado ao jornal "Correo".

Benítez indicou que conversou com o ex-presidente sobre esse plano, apesar de Toledo estar na lista de pessoas procuradas pela Interpol por ser considerado foragido no país. O governo do Peru ofereceu uma recompensa de US$ 30 mil por informações sobre ele.

Perguntado se Toledo se entregará à Justiça, o advogado do ex-presidente disse que essa decisão será tomada por ele à medida que o recurso contra a prisão preventiva avance.

Em entrevista à agência oficial "Andina", Benítez disse que Toledo não deveria voltar ao país porque não tem garantias de que será submetido a um processo justo. Além disso, o advogado considerou um "abuso" o fato de as autoridades terem oferecido uma recompensa e divulgado a foto do ex-presidente como um dos criminosos mais procurados do Peru.

A mesa diretora do Congresso do Peru decidiu hoje retirar os benefícios de Toledo como ex-presidente, como veículo oficial, combustível e pessoal de apoio.

O governo do Peru alertou ontem que o ex-presidente pode estar em San Francisco, na Califórnia, e solicitou às autoridades dos Estados Unidos colaboração para que o prendessem e o extraditassem.

Além disso, as autoridades peruanas foram informadas de que Toledo poderia estar planejando uma fuga para Israel.

Em Tel Aviv, um policial no aeroporto de Ben Gurion disse à Agência Efe que não há informações sobre a chegada do ex-presidente peruano em um voo que partiu de San Francisco na tarde de hoje. Pessoas ligadas a Toledo em Israel e que preferiram o anonimato disseram que não tinham tido contato com ele.

Toledo é a primeira grande figura da política peruana envolvida no caso Odebrecht. A empresa admitiu ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter pagado US$ 29 milhões a funcionários públicos do Peru entre 2005 e 2014, período que compreende os governos de Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016). EFE

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