Jornalistas brasileiros que investigam caso Odebrecht são presos na Venezuela

Caracas, 11 fev (EFE).- As autoridades da Venezuela prenderam neste sábado no estado de Zulia, no oeste do país, dois jornalistas brasileiros e outros dois venezuelanos que faziam uma matéria sobre uma obra não concluída da construtora Odebrecht.

O secretário-geral do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP), Marco Ruiz, disse à Agência Efe que os brasileiros presos são o repórter Leandro Stoliar, da "Rede Record", e o cinegrafista Gilzon Souza de Oliveira. Já os venezuelanos são Jesus Urbina e María José Túa, coordenadores na cidade de Maracaibo da ONG Transparência Venezuela.

Os quatro estavam gravando imagens da chamada ponte de Nigale, uma estrutura prometida em 2005 pelo então presidente Hugo Chávez, morto em 2013, e até hoje não concluída. Ela seria uma segunda opção para passagem de veículos sobre o Lago de Maracaibo.

Segundo Ruiz, funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) ordenaram que os quatro jornalistas se dirigissem, escoltados, até a sede do órgão no estado para uma "entrevista".

"Eles mandaram os jornalistas irem em seu próprio carro, depois comunicaram que iriam rumo ao Sebin e retiraram os celulares deles. Eles não têm advogados", disse o sindicalista, explicando que os brasileiros chegaram ao país na última quarta-feira.

As informações também foram divulgadas pela ONG Transparência Venezuela pelo Twitter. A organização classifica a prisão de "sequestro" e exige a libertação imediata dos quatro detidos.

"Nossa equipe de Zulia e os jornalistas brasileiros estavam coletando informações sobre as obras da Odebrecht. Fazemos um pedido à Defensoria Pública para que vá ao local da prisão", disse a ONG.

O SNTP indicou em janeiro que sete correspondentes estrangeiros foram expulsos da Venezuela no último ano.

A Venezuela também foi citada nos pagamentos de propina feitos pela Odebrecht e revelados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos. No acordo firmado com a Justiça americana, a construtora brasileira disse ter pago US$ 98 milhões a funcionários e intermediários do governo entre 2006 e 2015.

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