Itamaraty confirma que jornalistas detidos na Venezuela foram libertados

Brasília, 12 fev (EFE).- O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou neste domingo que os dois jornalistas da "Rede Record" detidos ontem na Venezuela quando faziam uma matéria sobre uma obra não concluída da Odebrecht foram libertados.

O repórter Leandro Stoliar e o cinegrafista Gilson Souza de Oliveira devem embarcar ainda hoje ao Brasil, aonde chegarão na madrugada de segunda-feira, de acordo com a "Agência Brasil".

No entanto, o Itamaraty indicou que só se pronunciará sobre o incidente quando os dois jornalistas chegarem ao país. O caso foi acompanhado pela embaixada e pelo consulado do Brasil em Caracas desde que a notícia da detenção foi divulgada.

A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) repudiou "veementemente" a ação do governo venezuelano. Em comunicado, o órgão afirmou que a decisão é "abominável e digna apenas de regimes ditatoriais que não aceitam o livre exercício da imprensa e temem a verdade".

De acordo com a Abratel, todos os equipamentos e o material jornalístico produzido pelos jornalistas da Record foram confiscados pelas autoridades da Venezuela.

Ontem, o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP) confirmou à Agência Efe que os dois jornalistas brasileiros e os venezuelanos Jesús Urbina e María José Túa, coordenadores na cidade de Maracaibo da ONG Transparência Venezuela, tinham sido detidos pelas autoridades do país.

Os quatro estavam gravando imagens da chamada ponte de Nigale, uma obra prometida em 2005 pelo presidente Hugo Chávez, morto em 2013, e que seria uma segunda opção para a passagem de veículos sobre o Lago de Maracaibo. A construção, não concluída, era conduzida por um consórcio do qual a Odebrecht fazia parte.

Segundo o sindicato, funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) ordenaram que os quatro fossem, escoltados, até a sede do órgão para uma "audiência".

Sete correspondentes estrangeiros foram expulsos da Venezuela apenas em 2016, de acordo com o SNTP.

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht pagou US$ 98 milhões em propinas na Venezuela entre 2006 e 2015 a funcionários e intermediários do governo para obter contratos de obras públicas.

Neste domingo, o presidente do país, Nicolás Maduro, pediu que a Justiça seja firme com os envolvidos no escândalo.

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