Podemos reelege Pablo Iglesias como líder, mas enfrenta desafio da unidade

Madri, 12 fev (EFE).- O Podemos, partido de esquerda na Espanha, reelegeu neste domingo Pablo Iglesias como líder do grupo, mas agora enfrentará o desafio de manter a unidade entre setores que nas últimas semanas demonstraram fortes discordâncias.

Criado em 2014 para responder ao descontentamento social com os políticos tradicionais, o Podemos experimentou nesses três anos uma crise de crescimento, já que entrou nas instituições públicas, mas ainda mantém uma alma popular e de mobilização.

Iglesias enfrentou neste domingo o seu braço direito, Íñigo Errejón. Apesar de Errejón não ser candidato à Secretaria-Geral do Podemos contra o líder reeleito, ele apresentou uma lista alternativa para compor o principal órgão diretor do partido, o Conselho Cidadão, que acabou derrotada por 50,58% contra 33,68% dos votos.

Os dois discordam sobre a estratégia base do partido. Iglesias defende a pressão social como arma política. Já Errejón é mais partidário do trabalho dentro das instituições.

Um terço dos cerca de 450 mil inscritos participou do Congresso do Podemos, que é a terceira força parlamentar na Espanha, apesar de as atuais pesquisas já colocarem o grupo no segundo lugar, atrás do governante Partido Popular (PP), de centro-direita, e acima do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Durante todo o fim de semana, os representantes do grupo defenderam a unidade, um sintoma do temor do cisma dentro do partido. Após o resultado da votação, Iglesias assumiu esse clamor e disse que o objetivo da base é manter a "unidade e a humildade".

Iglesias, de 38 anos, se comprometeu a trabalhar em levar ao parlamento as exigências da sociedade civil e seguir como oposição ao PP, que ontem reelegeu Mariano Rajoy, presidente do Governo da Espanha, como líder do partido.

"Aqui há um partido do século XXI, que avança com as pessoas. Queremos um Podemos mais plural, mais feminino, mais unitário, fraterno e unido. O vento de mudança segue soprando", afirmou.

Apesar da derrota, Errejón segue como "número dois" do Podemos e defendeu a mesma linha que o rival nas eleições. Para ele, o pedido da assembleia foi por "unidade e pluralidade" para que o partido possa ser uma alternativa ao governo do PP.

Errejón, que tem muita visibilidade por ser o porta-voz do Podemos no parlamento, não quis falar sobre a possibilidade de um rompimento e se mostrou convencido que a "responsabilidade" entre seus seguidores prevalecerá.

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