Santos diz que não existe prova de dinheiro da Odebrecht em sua campanha

Bogotá, 12 fev (EFE).- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou neste domingo que espera que a Procuradoria-Geral faça uma "investigação séria" sobre a suposta colaboração financeira da Odebrecht a sua campanha para reeleição em 2014, mas destacou que não serão encontradas provas de crimes porque elas não existem.

"Sou o mais interessado que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) faça uma investigação séria e objetiva, e que seus resultados sejam conhecidos em breve. Não tenho dúvidas que assim será. Os promotores não encontraram prova alguma da entrada do dinheiro na campanha e nem poderão encontrar porque ela não existe", disse Santos em entrevista publicada hoje pelo jornal "El Tiempo".

O capítulo colombiano do escândalo de corrupção da Odebrecht chegou nesta semana ao entorno do presidente e da oposição pela via do financiamento da campanha eleitoral de 2014.

A Constituição da Colômbia proíbe partidos e candidatos de receber doações de pessoas ou empresas estrangeiras. Caso seja comprovado que a Odebrecht contribuiu para sua reeleição, Santos pode até sofrer um impeachment.

Até agora, a Procuradoria-Geral da Colômbia conseguiu estabelecer que a Odebrecht pagou US$ 11,1 milhões a dois políticos já detidos para obter licitações de obras de infraestrutura, mas as investigações continuam para descobrir quem mais se beneficiou do esquema ilícito promovido pela construtora.

Um dos presos, o ex-senador Otto Bula, acusado de receber US$ 4,6 milhões da Odebrecht, disse que Roberto Prieto, coordenador da campanha de Santos, ficou com parte do dinheiro, que teria sido investido para reeleger o presidente do país.

"O coordenador de minha campanha, Roberto Prieto, por iniciativa própria, propôs que não recebêssemos nenhuma contribuição do setor privado e que o financiamento fosse exclusivamente com a reposição de votos que ordena a lei. Assim entendo que ocorreu e assim foi relatado ao Conselho Nacional Eleitoral", disse o presidente.

Um tribunal colombiano ordenou no último dia 10 de fevereiro a suspensão provisória do contrato da estrada Rota do Sul II, vencido por um consórcio liderado pela Odebrecht, até que a Justiça julgue uma ação popular apresentada pela Procuradoria-Geral.

O juiz que avaliou o caso também ordenou que o governo designasse o órgão que assumirá a responsabilidade pelo projeto para evitar que as obras fiquem paradas, já que a estrada ainda não foi concluída.

"Aqui é preciso atuar sempre defendendo os interesses supremos do Estado. É preciso atuar com total firmeza e clareza contra a corrupção, ao mesmo tempo em que é preciso buscar que as obras, que são de grande importância para o país, não sejam paralisadas", indicou o presidente na entrevista ao jornal.

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