Panamá solicita alerta vermelho a Interpol para prender filhos de Martinelli

(Atualiza com declarações dos advogados dos filhos de Martinelli).

Cidade do Panamá, 13 fev (EFE).- A Procuradoria Geral da Nação (PGN) do Panamá pediu que a Interpol emita um alerta vermelho contra dois filhos do ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), que aparecem entre as 17 pessoas requeridas pelo caso dos subornos da Odebrecht, informou nesta segunda-feira à Agência Efe uma fonte judicial.

A procuradora especial anticorrupção da PGN, Tania Sterling, foi a encarregada de remeter três formulários de alerta vermelho contra Ricardo Alberto Martinelli Linares, Luis Enrique Martinelli Linares e a advogada Evelyn Ivette Vargas Reynaga, por suposto crime contra a ordem econômica.

A circular foi dirigida ao diretor da Direção de Investigação Judicial (DIJ) da Polícia Nacional, Marcos Córdoba, no último dia 1º de fevereiro, para levar o trâmite à Interpol, detalhou a fonte.

Os advogados dos filhos de Martinelli, por sua parte, denunciaram hoje supostas "irregularidades" porque, em sua opinião, a data na qual se solicitou a extradição não coincide com o dia em que se anunciou a medida.

"Ou estão escondendo peças do processo ou estão produzindo documentação com data anterior", afirmou aos veículos de comunicação o advogado Cristóbal Arboleda.

No último dia 24 de janeiro a procuradora-geral do Panamá, Kenia Porcell, anunciou que "seriam formuladas acusações" por lavagem de capitais contra 17 pessoas, entre elas dois filhos de Martinelli, dos quais a Suíça congelou contas com US$ 22 milhões.

Nessa ocasião Porcell cogitou a possibilidade de requerer através da Interpol algumas das 17 pessoas cuja ordem de condução foi emitida em 23 de janeiro pela recém criada Procuradoria Especial Anticorrupção, dedicada a investigar apenas os casos relacionados a Odebrecht.

Outros investigados são Mario Martinelli, o ex-ministro de Obras Públicas, Federico Suárez, o ex-diretor da Caixa de Seguro Social, Guillermo Sáez Lloren, o ex-diretor da estatal Caja de Ahorros, Ricardo Francolini, detido pela investigação de um empréstimo irregular; e as empresárias Ana Isabel Suarez Cedeño e Nitzela Bonilla, de acordo com o revelado por veículos de comunicação locais.

Os primeiros documentos divulgados, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, indicam que dos US$ 788 milhões que a Odebrecht pagou em comissões em 12 países, US$ 59 milhões foram parar nas mãos de ex-funcionários públicos panamenhos e US$ 6 milhões com familiares de um alto cargo não identificado, entre 2009 e 2014.

Mas as revelações suíças somam mais milhões do que parece a favor do Panamá, uma vez que a investigação dos EUA transcorreu de forma independente à do país europeu, que agora lança novas luzes sobre o caso.

A Odebrecht executa grandes projetos de infraestrutura no Panamá que superam os US$ 3 bilhões e empregam 8.000 pessoas, entre estes a linha 2 do metrô, a ampliação do aeroporto internacional de Tocumen e a renovação urbana de Colón, adjudicados na atual Administração de Juan Carlos Varela.

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