Combates entre exército e milícias causaram 100 mortos na RDC, segundo ONU

Genebra, 14 fev (EFE).- O Exército da República Democrática do Congo (RDC) matou pelo menos 101 civis em enfrentamentos com uma milícia local na região central do país entre 9 e o 13 de fevereiro, denunciou nesta terça-feira o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

Os combates aconteceram nos arredores da cidade de Tshimbulu, na província de Kasai, entre as forças armadas do presidente Joseph Kabila e os membros da milícia Kamuina Nsapu, um grupo armado que leva o nome de seu antigo chefe e que se radicalizou após sua morte pelas mãos do exército.

"Os soldados do exército congolês abriram fogo indiscriminadamente com metralhadoras quando viram membros da milícia local, armados principalmente com facões e lanças", disse em entrevista coletiva a porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Elizabeth Throssell.

Segundo relatórios os quais este organismo das Nações Unidas teve acesso, 39 mulheres morreram no enfrentamento ao serem apanhadas no ataque.

No entanto, o Escritório do Alto Comissariado ainda deve verificar o "exato número de vítimas", disse sua porta-voz.

Elizabeth condenou o ataque e pediu às forças armadas do país africano que cumpram com as leis internacionais de direitos humanos em suas atuações.

"Estamos profundamente preocupados com este alto número de mortes, que sugere um uso excessivo e desproporcional da força por parte dos soldados", advertiu.

A porta-voz também pediu que os altos responsáveis do exército lembrem a suas tropas que "devem minimizar os danos e as lesões e respeitar e preservar vidas humanas".

Por outro lado, o Escritório do Alto Comissariado denunciou o elevado número de crianças-soldado nas linhas da milícia que enfrentou o exército.

No território de Dibaya, onde ocorreram os combates, surgiu um conflito em abril de 2016 entre o líder local Kamuina Nsapu e o governo, que não reconhecia sua autoridade na região.

Depois da morte de Kamuina Nsapu, seus seguidores se radicalizaram e começaram a atacar instituições estatais, especificou a porta-voz.

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