Ex-senador detido no "caso Odebrecht" nega ter repassado dinheiro a Santos

Bogotá, 14 fev (EFE).- O ex-senador colombiano Otto Bula, suposto receptor de US$ 4,6 milhões da trama de subornos da Odebrecht, negou nesta terça-feira ter repassado parte desse dinheiro à campanha para a reeleição em 2014 do presidente Juan Manuel Santos.

"Não é certo, não me consta e nem disse que o dinheiro que entreguei ao senhor Andrés Giraldo fosse uma contribuição à campanha Santos presidente ou ao senhor Juan Manuel Santos", escreveu Bula em carta dirigida ao presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Alexander Vega Rocha.

O capítulo colombiano do escândalo de corrupção da Odebrecht atingiu na semana passada o entorno do presidente Santos e da oposição comandada pelo ex-presidente Álvaro Uribe pelo suposto financiamento da campanha eleitoral de 2014.

A Constituição colombiana proíbe os partidos e candidatos a cargos públicos de receber doações para suas campanhas de pessoas ou empresas estrangeiras, pelo que, caso seja comprovado que entrou dinheiro nos pleitos presidenciais de 2014, estariam sujeitos a sanções que podem acarretar até a perda do cargo.

Até agora, a procuradoria colombiana conseguiu estabelecer que os US4 11,1 milhões que a Odebrecht pagou em subornos na Colômbia para obter licitações de obras de infraestrutura, segundo o Departamento de Justiça de EUA, foram parar nas mãos de dois políticos já detidos, um deles Bula, mas a investigação procura descobrir quem mais se beneficiou destes crimes.

O caso adquiriu uma conotação política maior já que Bula envolveu diretamente Roberto Prieto, gerente da campanha de Santos à reeleição.

"Existe o testemunho do senhor Bula no qual diz que tomou US$ 1 milhão, dos quais descontou 10%, que tinham como destino o doutor Roberto Prieto", disse na quarta-feira passada o procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, no momento de anunciar a investigação com base no testemunho judicial do ex-senador.

Segundo o depoimento de Bula citado pelo procurador, a construtora brasileira entregou o dinheiro a Giraldo, um reconhecido empresário de Medellín, para que depois o repassasse a Prieto aproveitando sua amizade.

Em resposta, o próprio Santos pediu ao CNE, instância encarregada de examinar as gestões financeiras das campanhas políticas, uma "investigação a fundo" para poder conhecer a verdade "o mais rápido possível".

Na carta divulgada hoje, Bula indicou ao presidente do CNE que está disposto a "depor sob a gravidade do juramento", como já fez perante a Procuradoria Geral da Nação.

Óscar Iván Zuluaga, candidato do Centro Democrático, partido comandado por Uribe, também se viu citado no esquema de subornos da Odebrecht, depois que o publicitário Duda Mendonça disse à revista "Veja" que a construtora lhe pagou parte de seus honorários como assessor do político.

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