Kremlin diz que saída de assessor de segurança é "assunto interno" dos EUA

Moscou, 14 fev (EFE).- O governo da Rússia afirmou nesta terça-feira que a renúncia do assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Michael Flynn, acusado de mentir sobre contatos com Moscou, é um "assunto interno" dos americanos.

"Não queremos comentar isto de maneira nenhuma. É um assunto interno dos americanos", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, ao responder aos jornalistas sobre a renúncia de Flynn.

O porta-voz insistiu que "trata-se de um assunto interno da administração do presidente (dos EUA, Donald) Trump. Não é um tema da Rússia".

Por outro lado, Peskov reiterou que é prematuro falar sobre qual será a caminho que tomarão as relações entre Rússia e Estados Unidos, ao ser perguntado sobre o tema.

"Não nos esqueçamos que a equipe de Trump ainda não está totalmente formada", disse o porta-voz.

Ao contrário do Kremlin, o chefe do Comitê de Assuntos Internacionais da Duma do Estado (câmara dos deputados do parlamento russo), Leonid Slutski, qualificou de "provocação" e "sinal negativo para o restabelecimento do diálogo russo-americano" a situação criada pelo escândalo em torno de Flynn e sua renúncia.

Flynn renunciou ontem após a polêmica gerada por causa de suas conversas com o Kremlin, sobre as quais não informou ao alto escalão da Casa Branca.

"Infelizmente, pelo ritmo dos eventos, informei inadvertidamente, com informação incompleta, o vice-presidente (Mike Pence) e outros sobre minhas conversas telefônicas com o embaixador russo (em Washington, Serguei Kislyak)", reconheceu Flynn em sua carta de renúncia.

Nessas conversas, que se desenvolveram antes que Trump tomasse posse em 20 de janeiro e que foram interceptadas pelo FBI (polícia federal investigativa dos EUA), Flynn falou das sanções contra o Kremlin impostas pelo ex-presidente Barack Obama pela suposta ingerência da Rússia nas eleições de novembro à Casa Branca.

Flynn teria mentido ao vice-presidente e a outros funcionários sobre o conteúdo das ligações para assegurar que não tinha falado com Kislyak sobre as sanções, uma desinformação que levou o vice-presidente a negar nos veículos de imprensa há um mês esses contatos.

Segundo Slutski, o fato de que os contatos de Flynn com o embaixador russo foram escolhidos como pretexto indica que "o objetivo era (prejudicar) as relações russo-americanas e minar a confiança na nova administração" da Casa Branca.

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