Oposição teme que sanções contra vice afetem relações entre Venezuela e EUA

Caracas, 14 fev (EFE).- O secretário-executivo da coligação opositora venezuelana Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, afirmou nesta terça-feira que as "severas acusações" do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos contra o vice-presidente da Venezuela, Tareck el Aissami, poderiam trazer implicações nas relações entre os dois países.

"É um tema tão grave que implica uma situação que certamente poderia comprometer as relações de nosso país com o único país que nos paga em 'cash' pelo petróleo, com o único mercado que tem essa característica hoje em dia. Uma nação que tem um peso indubitável na região, no hemisfério", comentou Torrealba.

Em seu programa de rádio "A Força é a União", o porta-voz opositor qualificou de "graves" as acusações contra o vice-presidente venezuelano e adiantou que a coalizão opositora vai tomar uma posição nas próximas horas, "muito provavelmente" através de um comunicado.

"Estas acusações são muito graves, as implicações que assinalam os documentos emitidos pelo Departamento do Tesouro americano são muito severas porque estão vinculadas com um dos crimes mais terríveis, que é o narcotráfico. É uma situação muito, muito delicada", disse o pota-voz.

O deputado opositor e membro da Comissão de Política Externa do parlamento venezuelano, Williams Dávila, afirmou no Twitter que "o mais grave" da acusação contra Aissami "é a junção de narcotráfico e terrorismo", em referência à carta assinada por 34 legisladores americanos que pedia a adoção de medidas contra funcionários venezuelanos.

O governo dos Estados Unidos impôs ontem sanções econômicas a Aissami, a quem acusa de "desempenhar um papel significativo no tráfico internacional de narcóticos".

O Departamento do Tesouro americano também impôs sanções ao empresário Samark José López Bello por considerá-lo um "laranja" de Aissami e proporcionar "material, dinheiro, bens e serviços em apoio a atividades de tráfico internacional de narcóticos".

A imposição dessas medidas aconteceu depois que 34 legisladores americanos solicitaram em uma carta ao presidente Donald Trump que o Executivo tomasse medidas imediatas para sancionar funcionários do governo venezuelano que estão "obtendo benefícios" das violações de direitos humanos que, em sua opinião, acontecem no país sul-americano.

Na carta, os legisladores também mostraram sua preocupação com os, segundo eles, "comprovados vínculos com o narcotráfico e organizações terroristas" por parte de Aissami.

Diante dessas acusações, Aissami qualificou hoje de "miserável agressão" as sanções impostas contra ele e afirmou que tem a "moral intacta", "maior firmeza e convicção anti-imperialista", e "maior consciência chavista".

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