Relatório aponta 36 vítimas de abusos sexuais em entidade católica no Peru

Lima, 13 fev (EFE).- Pelo menos 36 pessoas, 19 delas menores, foram supostamente vítimas de abusos sexuais na sociedade apostólica Sodalício de Vida Cristã (SVC) no Peru entre os anos 1975 e 2002, por parte de seus líderes, entre eles seu fundador, o peruano Luis Fernando Figari, segundo uma investigação interna da congregação.

O atual superior geral do Sodalício, Alessandro Moroni, afirmou na segunda-feira em um comunicado "a parte mais forte e grave das conclusões" da investigação, cujo relatório final será publicado nesta terça-feira nas redes sociais, e posteriormente apresentado na Promotoria peruana.

Além de Figari, que está em em Roma afastado da congregação, os outros agressores sexuais identificados dentro do Sodalício são o falecido German Doig, Virgilio Levaggi e Jeffrey Daniels, os dois últimos já retirados da sociedade, que molestaram de 19 menores e 10 adultos entre 1975 e 2002.

As sete vítimas restantes identificadas na investigação foram aparentemente agredidas sexualmente por três membros atuais do Sodalício e outro integrante já aposentado.

Moroni disse que os crimes ocorreram "em um passado distante, o que não os torna menos grave, mas difícil de provar de maneira irrefutável", por isso que os abusos citados no relatório são reconhecidos com base na verossimilidade dos mais de 200 depoimentos recolhidos em menos de um ano.

A investigação foi conduzida pelo irlandês Ian Elliot, especialista em assistência a vítimas, e pelas americanas Kathleen McChesney, ex-número três do FBI, e Monica Applewhite, especialista em prevenção de abusos.

O atual superior da congregação advertiu que o relatório completo vai revelar "de maneira clara uma realidade muito triste e dolorosa", porque "vai muito além de que foi contado até agora", e reiterou que sua congregação não tomou o caminho da impunidade e ocultação.

A promotora María do Pilar Peralta, titular da 26ª Procuradoria Penal de Lima, arquivou em janeiro uma denúncia apresentada por cinco vítimas contra um grupo de líderes do Sodalício, entre eles Figari, pelos crimes de violação de menores, sequestro, lesões graves e formação de quadrilha.

Os autores da denúncia são José Enrique Escardó, Martín López de Romaña, Vicente López de Romaña, Óscar Osterling e Pedro Salinas, jornalista que recolheu ao lado de seu colega Paola Ugaz, os testemunhos de seus companheiros sob pseudônimos no livro "Metade monges, metade soldados", e cuja publicação motivou a investigação a partir de 2015.

Salinas afirmou para a emissora "Rádio Programas del Peru" (RPP) que a lista de vítimas deve aumentar e ressaltou que os nomes dos supostos criminosos sexuais revelados nesta segunda já foram mencionados em seu livro.

O autor do livro lamentou que esses crimes provavelmente já tenham prescrito, mas pediu para investigar os prováveis cúmplices que ainda integram o Sodalício, incluindo Jaime Baertl, Óscar Tokumura e Eduardo Regal.

Em sua própria investigação, o Vaticano estabeleceu que Figari cometeu abuso sexual pelo menos um menor, em 1974, e na última sexta-feira foi proibido dele voltar a ter contato com o Sodalício, retornar ao Peru e falar com veículos de imprensa.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos