Trump ignora perguntas sobre Flynn e critica vazamentos ilegais

Washington, 14 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ignorou nesta terça-feira várias perguntas dos jornalistas sobre a renúncia do assessor de segurança nacional Michael Flynn e preferiu criticar os "vazamentos ilegais" que revelaram vários detalhes do governo nas últimas semanas.

Trump participou de uma reunião sobre educação na Casa Branca e evitou responder as perguntas dos jornalistas sobre a renúncia de Flynn, anunciada na noite de ontem e que provocou a primeira grande crise do governo do republicano.

Pouco antes dessa reunião e em uma aparente tentativa de desviar a atenção da polêmica sobre Flynn, Trump usou o Twitter para indicar qual a "verdadeira história" que deveria estar na imprensa hoje.

"A verdadeira história aqui é porque tantos vazamentos ilegais estão saindo de Washington? Esses vazamentos ocorrerão enquanto lido com a Coreia do Norte, etc?", escreveu o republicano no Twitter.

Flynn, um general condecorado que assessorou Trump sobre política externa na campanha, conversou com o embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, durante o período de transição entre o atual governo e o do ex-presidente Barack Obama e também antes das eleições presidenciais do último dia 8 de novembro.

Algumas dessas ligações foram grampeadas. Segundo as transcrições, Flynn e o embaixador conversaram sobre as sanções contra o Kremlin impostas por Obama antes de deixar a Casa Branca como represália à ingerência russa nas eleições do país.

Enquanto os rumores sobre o conteúdo dessas ligações percorriam os corredores de Washington, Flynn garantiu ao vice-presidente, Mike Pence, e a outros funcionários do alto escalão do governo que não tinha conversado com Kislyak sobre as sanções contra a Rússia.

Flynn renunciou ontem porque mentiu sobre os contatos com a Rússia e a situação se tornou "insustentável", de acordo com uma das principais conselheiras de Trump, Kellyane Conway.

O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Paul Ryan, disse em entrevista coletiva que Trump tomou a atitude correta para pedir a renúncia de Flynn. "Não se pode ter um assessor de segurança nacional que engane o vice-presidente e outros", disse.

O relato de Ryan, porém, é diferente da versão da Casa Branca, que disse que a decisão de renunciar partiu do próprio Flyn.

A Casa Branca não esclareceu quando Trump soube das ligações de Trump para o embaixador russo e o conteúdo dos diálogos.

Conway disse hoje que não sabe se Trump e Pence estavam cientes da advertência do Departamento de Justiça sobre a situação de Flynn.

Segundo matéria do jornal "Washington Post" e que provocou a crise, o órgão informou a Casa Branca no fim de janeiro que o general reformado poderia estar em uma posição complicada por suas contradições sobre as conversas com Kislyak e, inclusive, ser vulnerável a possíveis chantagens do Kremlin.

Por causa da renúncia de Flynn, os democratas no Congresso estão pedindo a abertura de uma investigação sobre o contato dos assessores de Trump com a Rússia durante e depois da campanha.

"O povo americano merece conhecer o alcance total do controle político, financeiro e pessoal da Rússia sobre o presidente Trump, e o que isso representa para nossa segurança nacional", disse a líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.

Ryan evitou comentar se considera necessária uma investigação. Até o momento, os republicanos negaram estabelecer um comitê independente e bipartidário para questionar as conexões de Trump e da equipe do governo com a Rússia.

No entanto, alguns senadores republicanos defenderam a investigação e também que Flynn preste depoimento no Congresso. Por outro lado, congressistas conservadores, assim como Trump, preferem citar os problemas dos vazamentos.

Os vazamentos até então já revelaram detalhes muito precisos sobre a vida de Trump na Casa Branca e as tensões entre membros da equipe, assim com o conteúdo das conversas telefônicas entre o republicano e outros líderes mundiais.

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