Alemanha reúne ministros dos Exteriores do G20 com olhar em Tillerson

Berlim, 15 fev (EFE).- A Alemanha reúne entre quinta e sexta-feira os ministros das Relações Exteriores do Grupo dos Vinte (G20), fórum no qual espera que o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, em sua primeira viagem ao exterior, comece a esboçar a política de Washington.

Com esta reunião, realizada em Bonn (oeste da Alemanha), a Alemanha procura ampliar com questões políticas a paleta de temas do G20, centrado tradicionalmente nos assuntos econômicos e financeiros.

Os assuntos da agenda oficial serão o desenvolvimento sustentável, o fomento global da paz e a estabilidade, a ajuda à África e a cooperação multilateral, embora os olhares estarão centrados na Síria, Ucrânia e em Tillerson, que deve se reunir pela primera vez com seus colegas russo e chinês, Sergei Lavrov e Wang Yi.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, ressaltou em comunicado a importância do G20 como fórum para analisar de forma conjunta "as causas dos conflitos e as possibilidades de prevenção pacífica" dos mesmos.

Segundo sua opinião, a política externa não deve se limitar a "ir constantemente de um fogo ao seguinte com o extintor" e considerou que cada vez há mais "grandes problemas internacionais" cuja resolução requer da cooperação entre países.

"O terrorismo, a escassez de água, os deslocamentos forçados e as crises humanitárias não se superam com isolamento. A mudança climática não é combatida com arame farpado", argumentou o chefe da diplomacia alemã.

A chegada de Donald Trump à presidência dos EUA gerou um nível de incerteza inédito entre seus aliados tradicionais e muitos governos ocidentais acreditam que esta reunião sirva para começar a esclarecer alguma das questões fundamentais do panorama internacional, da Síria à Ucrânia, passando pela Rússia e Irã.

De fato, os organizadores alemães, que não preveem que haja uma declaração final, decidiram não revelar a agenda do jantar de trabalho que será realizado amanhã entre os ministros do G20, para que possam abordar de maneira informal todos os pontos não incluídos nela.

Além disso, irão acontecer em Bonn múltiplos encontros bilaterais e uma reunião de uma dúzia de países sobre a Síria (na qual não estará a Rússia).

A reunião do G20 terá na quinta-feira uma primeira sessão sobre a Agenda 2030 de objetivos globais de desenvolvimento da ONU e uma segunda, na sexta-feira, sobre prevenção de conflitos e consolidação da paz.

Esta é apenas a segunda ocasião na qual o país que ostenta a presidência rotativa do G20 organiza uma reunião de ministros das Relações Exteriores -após México em 2012- e portanto, que dá cabimento a questões de política internacional na agenda.

Esta opção é questionada por alguns países, já que estes assuntos são tratados tradicionalmente em outros formatos, principalmente no seio do Conselho de Segurança da ONU.

Está previsto que a Bonn compareçam 18 dos ministros das Relações Exteriores dos 20 países-membros (a Índia e Austrália enviam seus vice-ministros), assim como titulares desta pasta de outros países convidados -como é o caso do espanhol Alfonso Dastis- e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O G20, que reúne as economias avançadas e emergentes e atores regionais relevantes, inclui EUA, Japão, Alemanha, o Reino Unido, França, Itália, Austrália, Canadá, China, Índia, Indonésia, África do Sul, México, Argentina, Brasil, Rússia, Coreia do Sul, Turquia e Arábia Saudita e União Europeia.

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