Ameaçado por Maduro, Capriles diz que nunca assinou contratos com a Odebrecht

Caracas, 15 fev (EFE).- O governador do estado de Miranda e duas vezes candidato à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, disse nesta quarta-feira que nunca assinou contratos com a Odebrecht como político e pediu que líderes chavistas sejam investigados por ligação com o escândalo de corrupção da construtora.

"O governo que eu comando, enquanto eu fui governador do estado de Miranda, jamais em minha trajetória como servidor público, prefeito e governador, nunca assinei um contrato com a Odebrecht", disse Capriles em entrevista coletiva à imprensa internacional.

O ex-candidato presidencial disse que não há um único contrato com sua assinatura com a construtora brasileira, nem quando foi prefeito do município de Baruta, entre 2000 e 2008, nem como governador de Miranda, cargo que desempenha desde 2008.

Capriles fez as declarações para responder às ameaças feitas ontem pelo presidente do país, Nicolás Maduro, que afirmou que "um governador recebeu dinheiro da Odebrecht e será preso".

O líder da oposição disse que viajaria à Colômbia hoje, mas mudou de ideia após ouvir a "acusação muito grave". Segundo Capriles, o governo de Maduro quer desviar a atenção do caso Odebrecht.

"Eu ponho todos os arquivos à disposição da Promotoria, da Assembleia Nacional. O governo de Miranda teve relação com a Odebrecht quando Diosdado Cabello era o governador (2004-2008)", disse Capriles, citando um dos líderes do chavismo.

"Se vocês querem saber sobre a Odebrecht em Miranda, procurem o senhor Diosdado Cabello. Me coloco à disposição para qualquer informação que seja requerida dos arquivos do governo, mas não serei bode expiatório agora", disse Capriles, acusando mais da metade do gabinete de Maduro de estar envolvido no escândalo de corrupção.

"Por que o Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional) prendeu por mais de dez horas quatro jornalistas no sábado, dois venezuelanos e dois brasileiros que foram investigar sobre o caso Odebrecht?", questionou o ex-candidato presidencial.

Capriles pediu que Maduro materialize sua ameaça contra ele e que inicie uma investigação sobre o caso.

"Aqui estamos para combatê-los. Vamos abrir a investigação. Queremos que seja investigado até o último dólar que foi pago à Odebrecht, todos os contratos assinados. Os que assinaram foram os funcionários que receberam as propinas", disse Capriles.

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