"CNN" defende sua reportagem sobre suposta venda de passaportes venezuelanos

Washington, 15 fev (EFE).- A emissora de televisão "CNN en Español" defendeu nesta quarta-feira sua investigação sobre uma suposta rede de venda de passaportes da Venezuela a cidadãos do Oriente Médio, em resposta às críticas do governo venezuelano.

A reportagem, intitulada "Passaportes nas sombras", foi transmitida na semana passada e hoje foi alvo da condenação da chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez, que rotulou esse trabalho como "absoluta mentira".

Em um vídeo, a emissora defendeu hoje a reportagem ao ressaltar que "a 'CNN' dedicou a 'Passaportes nas sombras' mais de um ano de investigação, tempo durante o qual revisamos milhares de documentos e realizamos entrevistas em quatro países".

"Respaldamos categoricamente nossa investigação, nosso trabalho jornalístico, inclusive as fontes que usamos, assim como o trabalho dos jornalistas que participaram dela", ressaltou a emissora americana.

"A 'CNN' quer deixar claro que uma coisa são as sanções por narcotráfico das autoridades americanas e outra são as denúncias apresentadas em nossa investigação sobre irregularidades em documentos venezuelanos", acrescentou.

A emissora se referiu assim às sanções econômicas impostas ontem pelo governo dos Estados Unidos ao vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, por "exercer um papel significativo no tráfico internacional de narcóticos".

"Não há vínculo algum entre os dois assuntos", ressaltou a emissora, em reação aos comentários da chanceler venezuelana.

Em entrevista coletiva em Caracas, Rodríguez afirmou hoje que "a rede de televisão 'CNN en Español' iniciou uma operação de guerra psicológica, uma operação de propaganda de guerra contra nosso país".

"Tudo o que vocês pretenderam vender nesse programa é absoluta mentira", disse a chefe da diplomacia venezuelana, ao qualificar de "muito grave" a transmissão da reportagem.

A investigação da "CNN en Español" revelou uma suposta rede de venda de passaportes venezuelanos a cidadãos de países do Oriente Médio em troca de elevadas quantias econômicas.

A reportagem da emissora se fundamenta no testemunho de Misael López, ex-conselheiro legal da embaixada da Venezuela no Iraque entre 2013 e 2015, ano no qual foi demitido por denunciar a venda de vistos e passaportes.

"No Iraque as pessoas pagavam muito dinheiro por um visto ou passaporte, até US$ 15.000", afirmou López, que entregou papéis que supostamente provam a corrupta rede de venda de documentos diplomáticos.

"Não lhes importa se quem tem os US$ 15.000 é um terrorista ou uma idosa que quer asilo na Europa", acrescentou o ex-funcionário, que agora vive na Espanha.

Por sua parte, a chanceler venezuelana chamou López de "criminoso" e acusou a emissora de estar "a serviço das agências políticas militares dos Estados Unidos" por "vincular" o governo venezuelano com um "suposto tráfico de passaportes a serviço do terrorismo".

A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) da Venezuela abriu hoje um "procedimento sancionatório administrativo" contra a "CNN en Español" por "supostamente" atentar "contra a paz e a estabilidade democrática" do país.

Várias operadoras de TV a cabo venezuelanas deixaram de transmitir o sinal do canal minutos depois que uma parte do comunicado da Conatel foi lido através da emissora estatal "VTV". EFE

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