Costa Rica investiga Scotiabank por conta ligada a ex-presidente peruano

San José, 15 fev (EFE).- A Superintendência Geral de Entidades Financeiras da Costa Rica (Sugef) investiga o banco canadense Scotiabank pelo depósito de milhões de dólares aparentemente provenientes de propinas relacionadas com o ex-presidente peruano Alejandro Toledo.

O jornal costa-riquenho "Semanario Universidad" publicou nesta quarta-feira uma reportagem na qual o superintendente da Sugef, Javier Cascante, confirmou que está em curso um procedimento administrativo contra a instituição canadense, o que pode levar a sanções financeiras se forem encontradas irregularidades.

A investigação gira em torno de se o Scotiabank cumpriu suas obrigações de controle sobre a origem do dinheiro e o perfil do cliente, conhecidas como "devida diligência" e "conheça seu cliente", antes de permitir que o dinheiro entrasse na conta.

As investigações das autoridades de Brasil e Peru indicam que pelo menos US$ 17 milhões de supostas propinas foram repassados às contas de sociedades anônimas estabelecidas na Costa Rica.

O promotor de Legitimação de Capitais da Costa Rica, Luis Carlos Castro, afirmou ao "Semanario Universidad" que o banco pode ter tido dificuldades para detectar operações irregulares devido ao perfil do cliente. Uma das razões é que os valores foram transferidos de outra entidade financeira no exterior, que teve que realizar os respectivos controles sobre a origem das quantias.

O Ministério Público da Costa Rica informou na semana passada que mantém congelada, a pedido das autoridades do Peru, uma conta bancária que estaria ligada ao ex-presidente Toledo.

Na conta, que está no nome da sociedade anônima Ecostate Consulting S.A., o saldo atual é de US$ 6,5 milhões.

Essa empresa está vinculada ao empresário peruano-israelense Josef Maiman, a quem o ex-diretor dos escritórios da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, identificou como o receptor do dinheiro das propinas pagas a Toledo.

O promotor peruano Hamilton Castro pediu na semana passada a prisão preventiva do ex-presidente Toledo (2001-2006) pela suposta propina de US$ 20 milhões paga pela Odebrecht para obter o contrato de concessão das obras de construção da rodovia Interoceânica.

O Ministério Público peruano informou que abriu um inquérito penal formal contra Toledo, Barata e Maiman, este último empresário amigo do ex-presidente que supostamente foi seu testa de ferro.

Barata declarou a Castro que deu uma propina de US$ 20 milhões a Toledo por meio de contas de Maiman no exterior para a Odebrecht ganhar a licitação para a construção dos trechos 2 e 3 da rodovia Interoceânica.

Segundo o Ministério Público, Barata é investigado como cúmplice primário do crime de lavagem de dinheiro, e Maiman como autor primário. Toledo, por sua vez, é acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

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