Justiça colombiana investiga "veracidade" de depoimentos em caso Odebrecht

Bogotá, 15 fev (EFE).- A Procuradoria Geral da Colômbia afirmou nesta quarta-feira que está investigando "a veracidade de todas os depoimentos" no esquema de corrpução da construtora brasileira Odebrecht, depois que um dos detidos desmentiu em uma carta declarações do titular desse escritório, Néstor Humberto Martínez.

Isto foi o que assegurou a entidade depois que o ex-senador Otto Bula, detido como suposto receptador de US$ 4,6 milhões em propinas da Odebrecht, relatou em uma carta enviada ontem ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que não disse, como afirma a Procuradoria, que US$ 1 milhão do ilícito foi para Roberto Prieto, chefe da campanha para a reeleição do presidente Juan Manuel Santos em 2014.

Segundo manifestou a Procuradoria no comunicado de hoje, a investigação sobre "a veracidade de todos os depoimentos recolhidos, junto com o acervo probatório existente e em processo de cobrança, em nível nacional e internacional, (é) o único que permitirá a aplicação estrita da lei, condenar responsáveis e absolver inocentes, como corresponde em um Estado de Direito".

Nas redes sociais chamou a atenção o fato de que, na carta de Bula ao CNE está escrito errado o nome do próprio signatário - Oto, em vez de Otto -, o que, segundo veículos de imprensa locais, pode ter sido porque o ex-senador detido tem caligrafia ruim e pediu a uma terceira pessoa que redigisse o documento.

O escândalo da Odebrecht atingiu na semana passada as campanhas das eleições presidenciais da Colômbia de 2014, a de Santos, e a do opositor Óscar Iván Zuluaga, do partido Centro Democrático, do ex-presidente Álvaro Uribe, pois, segundo o publicitário brasileiro Duda Mendonça, parte de seus honorários para assessorar este último foram pagos pela construtora.

A Procuradoria estabeleceu que os US$ 11,1 milhões que a Odebrecht pagou em propina na Colômbia para obter contratos de obras de infraestrutura, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, foram para as mãos de Bula e do ex-vice-ministro de Transportes, Gabriel García Morales, que também está detido.

Para se aprofundar no caso, o procurador Martínez viaja hoje a Brasília em companhia de investigadores que estão averiguando as ramificações do caso Odebrecht.

Em Brasília, Martínez participará amanhã de uma cúpula de representantes de Ministérios Públicos de 15 países para trocar informações sobre as práticas de corrupção em que incorreu a Odebrecht e, no dia seguinte, se reunirá com as autoridades brasileiras.

As investigações na Colômbia se concentram nos milionários contratos obtidos pela Odebrecht para a construção da estrada Rota do Sol II, que liga o centro ao norte do país, que ainda não foi concluída, e para as obras de melhoria da navegabilidade do rio Magdalena, o principal da Colômbia.

Além disso, a Procuradoria Geral da Colômbia investiga uma obra contratada pela Empresa de Aqueduto de Bogotá, na qual também foram detectadas irregularidades.

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