Kremlin desmente contatos de assessores de Trump com inteligência russa

Moscou, 15 fev (EFE).- O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, desmentiu nesta quarta-feira a informação de que agentes dos serviços de inteligência da Rússia teriam mantido contatos com assessores da campanha presidencial de Donald Trump e outros colaboradores mais próximos, como denunciou ontem o jornal americano "The New York Times" (NYT).

"Tratam-se de informações mentirosas que não têm base em nenhum tipo de fato. Não acreditamos em informações despersonalizadas" que "citam cinco fontes distintas, mas não nomeiam nenhuma delas", disse Peskov.

O porta-voz do Kremlin tachou de "irrisórias" as fontes do "NYT" e denunciou que "é impossível distinguir a verdade das falsidades" nas informações veiculadas pela publicação.

"Talvez alguém tenha alguma informação. Esperemos que chegue o tempo de saber quem são e quando aconteceram" os fatos que denunciam, acrescentou Peskov.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, argumentou que os contatos entre os assessores da campanha de Trump e os diplomatas russos é algo normal, "regulamentado pelas convenções internacionais sobre as relações diplomáticas".

"Nada nos surpreende. Isso se confirma uma vez que assistimos a um grande jogo político dentro" dos Estados Unidos, ressaltou Zakharova.

O Serviço de Inteligência Exterior (SVR, na sigla em russo) disse que "faltam provas" nas acusações do "NYT", enquanto o ex-chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB, a antiga KGB), Nikolai Kovalev, assegurou que contatos em nível informal "seriam impossíveis".

"Os contatos informais são impossíveis e os oficiais não podem acontecer por definição. As pessoas na equipe de Trump defendem interesses americanos, por isso esses contatos não fazem sentido", disse Kovalev.

O ex-chefe do FSB disse que existe "uma guerra de informação" iniciada pelos veículos de imprensa americanos contra o presidente de seu país, "na qual parece que todos os meios são bons" para conseguir seu fim.

"Terminarão acusando a equipe de Trump de reunir-se com 'hackers' russos que influenciaram nos resultados das eleições. Acredito que este é próximo passo", afirmou Kovalev.

A relação da campanha de Trump com a Rússia de Vladimir Putin esteve presente o tempo todo nas eleições americanas, já que os democratas consideram que o Kremlin tentou ajudar o magnata a chegar ao poder através de ciberataques.

A informação publicada pelo jornal nova-iorquino faz parte da investigação conduzida pelo FBI (a polícia federal investigativa dos EUA) sobre os vínculos entre os assessores de Trump e o Kremlin, e sobre os ciberataques contra o Partido Democrata e a campanha de Hillary Clinton.

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