Sequestros, traições e corrupção na luta pelo "trono" do sul da Índia

Moncho Torres.

Nova Délhi, 15 fev (EFE).- A morte em dezembro da popular e controversa Jayalalithaa Jayaram, chefe de governo do estado indiano de Tamil Nadu (sul), desencadeou uma luta com acusações, supostos sequestros, traições e uma sentença que ontem encerrou o processo de sucessão com um desfecho próprio de "Game of Thrones".

A devoção a Jayalalithaa, muito popular por suas políticas sociais, explodiu há três meses durante o grande funeral no qual centenas de milhares de pessoas, inclusive o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente do país, Pranab Mukherjee, foram se despedir.

Mas, após o luto, abriu-se uma batalha por sua sucessão que se acentuou durante a última semana com um enfrentamento entre V.K. Sasikala, que por anos foi braço direito de Jayalalithaa, e Ottakar Panneerselvam, chefe de governo provisório de Tamil Nadu desde a ausência por doença e morte da "amma", ou "mãe", como era chamada a líder.

O confronto entre os dois adversários acabou ontem com o fim das esperanças de Sasikala de chegar ao poder, após decisão do Tribunal Supremo da Índia, depois de 21 anos de julgamento, de condená-la a quatro anos de prisão e deixá-la inelegível durante uma década por um caso de corrupção.

A decisão acabou com as aspirações de Sasikala que, mesmo sem o carisma da "amma", acreditava ter uma candidatura sólida pelos anos de fidelidade à indiscutível figura de Jayalalithaa e por ter chegado sem oposição à liderança do partido que governa a região, o AIADMK.

"Aceito o posto de secretária-geral (do partido) apenas pela contínua insistência de nossos líderes", afirmou Sasikala em dezembro, ao justificar que "a pedido dos filhos da 'amma'", e como é tradição no AIADMK, ocuparia também a chefia de governo.

Com sua imagem ao lado da "mãe" nos cartazes do partido, Sasikala pediu a Panneerselvam que se mantivesse em seu posto como chefe provisório do governo regional até 9 de fevereiro, dia em que os astrólogos lhe indicaram como o mais próspero para que renunciasse e cedesse o posto.

No entanto, em 7 de fevereiro, Panneerselvam visitou o monumento comemorativo de Jayalalithaa e, após meditar durante 40 minutos, anunciou que tinha recebido pressões para deixar o governo e que não renunciaria.

A decisão gerou um caos político, com traições de parlamentares que passaram para o lado de Panneerselvam enquanto Sasikala era acusada de sequestrar durante o fim de semana, em um complexo hoteleiro próximo a Chennai, a capital regional, grande parte da cúpula do partido.

Entre a centena de parlamentares supostamente retidos estava S.S. Saravanan, que ontem conseguiu escapar e chegar à residência de Panneerselvam após se vestir, segundo disse, "com uma camiseta e uma bermuda" e pular um muro.

Porém, a Corte Suprema acabou com qualquer possibilidade de Sasilaka ocupar o "trono" de Jayalalithaa, condenando-a a quatro anos por possuir, em parceria com a "amma", ativos imobiliários "desproporcionais" avaliados em 666 milhões de rúpias (quase US$ 10 milhões).

Jayalalithaa havia sido condenada em 2014 por este caso, embora um ano depois o Alto Tribunal de Karnataka a tenha declarado livre de todas as acusações e convertido a condenação de quatro anos de prisão em uma multa de US$ 16,3 milhões.

Ao saber da decisão do Supremo, os seguidores Panneerselvam foram às ruas para comemorar com fogos, danças e cantos.

Mas, em um novo movimento digno de "Game of Thrones", o AIADMK anunciou imediatamente a expulsão de Paneerselvam das fileiras do partido e a nomeação de Edapadi K. Palanisamy como substituto de Sasilaka à frente da legenda.

Quando Jayalalithaa foi condenada à prisão, muitos de seus seguidores fãs apelaram para os deuses em busca de respostas, um gesto repetido por dois adversários políticos, mas questionando a "amma" nas alturas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos