Candidato de Correa quer manter "revolução", mas com estilo mais tolerante

Quito, 16 fev (EFE).- Vice-presidente de Rafael Correa de 2007 a 2013, Lenín Moreno é agora candidato a sucedê-lo, dentro do planejamento do governo, que pretende manter no Equador a "Revolução Popular" com radicalidade, embora com um estilo mais tolerante.

Em novembro do ano passado, quando o movimento Aliança País buscava seu candidato presidencial, após Correa decidir deixar definitivamente o poder depois de uma década no cargo, quase ninguém duvidava que Moreno seria escolhido, dada sua trajetória e conexão com a população.

E Moreno, que em 1998 ficou paraplégico após ser baleado em um assalto, impulsionou como vice vários programas de assistência em favor de incapacitados, sobretudo das camadas mais pobres.

Essas políticas voltadas "aos mais esquecidos entre os esquecidos" deram a ele a gratidão do povo e o reconhecimento internacional, pois muitos países pediram ajuda para repetir seus planos.

Moreno afirmou que essa missão foi uma espécie de corolário de sua vida, tanto pelos ensinamentos de seus pais, como pela traumática experiência que viveu durante o assalto que o deixou paraplégico.

Lenín Voltaire Moreno Garcés nasceu em 19 de março de 1953 na cidade de Nuevo Rocafuerte, na província de Orellana, muito perto da fronteira com o Peru e na região amazônica.

Seus pais, Lilian e Servio, se radicaram nessa cidade para trabalhar como professores por vários anos. Essa proximidade com a floresta levou Moreno a ser um defensor do meio ambiente, e sua convivência com povos indígenas o transformou em um lutador pelas causas sociais.

Moreno mudou-se para Quito ainda criança e estudou em alguns dos melhores colégios da capital, para depois se formar em Administração Pública pela Universidade Central do Equador. Trabalhou como professor e também se dedicou à promoção turística em uma empresa que tinha montado. Ele participou da criação da Câmara de Turismo do Equador, e foi nessa época que sofreu o assalto que o deixou paraplégico, um trauma que superou graças ao bom humor. Escreveu livros sobre sua teoria de que o humor é uma arma para derrotar as frustrações.

Em 2006, o até então desconhecido político foi candidato à vice-presidência acompanhando Correa.

Como vice-presidente do Equador, Moreno impulsionou uma estratégia de atenção prioritária e integral do Estado a pessoas com deficiência que depois foi implantada em países como El Salvador, Guatemala, Paraguai, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai.

Em 2013, após deixar a vice-presidência, o então secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o escolheu como seu Enviado Especial sobre Deficiência e Acessibilidade.

No ano passado, Moreno renunciou ao cargo para aceitar a candidatura presidencial de seu país, um desafio que, segundo disse, permitirá dirigir seus esforços a outros setores da sociedade, especialmente a infância, a juventude e a terceira idade.

Um Equador "para todos", com uma atenção "preferencial para os mais pobres", é o que oferece Lenín Moreno, que espera conseguir isso "com o apoio de todos".

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