Críticos apontam que economia do Equador vive crise; governo vê recuperação

Quito, 16 fev (EFE).- Setores críticos ao governo do Equador acreditam que quem vencer as eleições encontrará uma complexa situação econômica, pois o país passa por dificuldades financeiras que a atual administração atribui a razões externas, enquanto vê a economia canalizada pelo caminho da estabilidade.

As autoridades locais calculam que o Equador registrou um retrocesso econômico de 1,7% em 2016 e preveem um crescimento de 1,42% neste ano, embora a projeção da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal) seja de um avanço de 0,3%. Tudo isso em uma conjuntura de forte queda do preço do petróleo e de fortalecimento do dólar, fatores externos que castigaram durante os últimos anos a economia do país e aos quais se uniu o devastador terremoto de abril de 2016, que gerará despesas de US$ 3,3 bilhões em planos de reconstrução.

As medidas econômicas adotadas, no entanto, permitiram uma progressiva recuperação, segundo o governo, cujo presidente, Rafael Correa, projeta a criação de até 251 mil postos de trabalho nos próximos anos graças às políticas e investimentos impulsionados pelo Executivo.

Correa, que deixará o poder em maio e apoia o candidato governista Lenín Moreno, do movimento Aliança País (AP), prevê que até 2025 o Equador contará com uma produção "diversificada e inserida no mundo".

A produtividade é um dos eixos da recuperação econômica que o Equador precisa, segundo analistas como o decano de Economia e Administração da Universidade das Américas (UDLA), Vicente Albornoz.

O "grande desafio" é "devolver ao país a memória de que, na economia, o importante é produzir" e ganhar competitividade, o que exige reformas trabalhistas, societárias e uma menor regulamentação, disse à Agência Efe o analista, que admitiu que a queda do preço do petróleo foi o estopim da crise.

Contudo, exatamente pela volatilidade do preço do petróleo, "o governo foi avisado" para que não gastasse "até o último centavo", ressaltou.

O governo defende que o país é agora muito mais competitivo do que há uma década, quando Correa chegou ao poder, e encoraja os empresários a investir, enquanto aposta na elaboração de produtos com valor agregado e em uma menor dependência do petróleo e da exportação de matérias-primas.

Mas a oposição e setores críticos reprovam o governo pela falta de visão, pelo aumento das despesas em tempo de bonança petrolífera e por não ter criado um fundo de emergência.

As despesas do governo subiram em 2016 para a US$ 24 bilhões, enquanto as receitas do Estado foram de US$ 16,5 bilhões, segundo o Observatório de Política Fiscal, citado por Albornoz, para quem esses dados representam "um déficit enorme que se financia com dívida", e a curto prazo serão necessárias medidas de correção do déficit fiscal.

O presidente equatoriano, por outro lado, previu melhores expectativas e garantiu que deixará para o próximo governo, que assumirá em maio, um país com a economia em crescimento e estabilizada, apesar dos problemas que atravessou nos últimos anos.

"Muitos esperavam que a economia entrasse em colapso (...). Não só a economia não ruiu, como já mostra grandes, claros sinais de recuperação", disse Correa em discurso em meados de janeiro.

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