Equador decide entre continuidade governista e propostas de oposição dividida

Quito, 16 fev (EFE).- Os equatorianos vão escolher nas urnas neste domingo entre prosseguir no modelo de socialismo do século XXI, que já tem dez anos no poder, e as propostas de uma oposição fragmentada, mas convencida de que tem chances de governar se as eleições forem para o segundo turno.

As propostas do governo são defendidas agora pelo ex-vice-presidente Lenín Moreno, que pretende suceder na presidência o seu companheiro de chapa, Rafael Correa. O atual líder planeja deixar a política equatoriana e ir morar na Bélgica, onde nasceu sua esposa, Anne Malherbe Gosselin.

O atual modelo político, ao qual Moreno pretende imprimir um estilo próprio, é conhecido como a Revolução Cidadã, um projeto esquerdista que têm como objetivo a igualdade, a erradicação da pobreza, a melhoria do bem-estar social e o fim dos privilégios só. O ser humano deve estar "acima do capital".

O governo quer, com isso, avançar no que considera suas principais conquistas, como a criação de escolas, hospitais públicos e grandes infraestruturas viárias e energéticas. No lado econômico, a meta é promover a indústria de produtos com valor agregado e o impulso ao conhecimento e ao talento humano, reduzindo a dependência do petróleo.

Moreno tem pela frente uma oposição que, apesar de há anos estar fragmentada, se une no desejo de ver o "Correismo" fora do poder e acredita que as pesquisas acertam ao prever que será necessário um segundo turno para escolher o próximo presidente.

No amplo leque de tendências que os sete candidatos da oposição representam figuram social-democratas, conservadores, social-cristãos, independentes e populistas. Medidas sobre a criação de emprego, luta contra a corrupção, erradicação da pobreza, combate às drogas e liberdade de expressão foram expostas por todos os adversários na campanha.

Moreno, candidato do movimento governista Alianza País (AP), fala em uma "cirurgia maior" contra a corrupção e oferece a criação de 250 mil postos de trabalho ao ano, assim como ações para a construção de 40 escolas técnicas e a erradicação da desnutrição infantil.

A maioria das pesquisas coloca no segundo lugar em intenções de voto ao ex-banqueiro Guillermo Lasso, líder do movimento conservador CREO, que propõe a eliminação de 14 impostos, a criação de 1 milhão de empregos e a supressão da lei de comunicação.

Com essa última medida concorda Cynthia Viteri, do Partido Social Cristão (PSC), que segue Lasso na maioria de pesquisas e defende ainda a construção de casas para os mais humildes, o fim da dívida de camponeses e forma de atrair investimentos privados.

Atrás deles aparece o ex-prefeito de Quito e general reformado Paco Moncayo, da Esquerda Democrática, partidário de fomento de obras públicas para criar até 285 mil empregos e de acometer uma regeneração do sistema que permita a independência das instituições.

Abaixo desses três candidatos da oposição estão os demais, entre eles o populista Dalo Bucaram, filho do ex-presidente Abdala Bucaram Ortiz e candidato da Força Equador, que defende vantagens fiscais às empresas que gerem emprego aos setores vulneráveis e uma Comissão da Verdade para investigar a corrupção.

Também na linha populista existe o candidato do Partido Sociedade Patriótica (PSP), Patrício Zuquilanda, que propõe medidas como o fim da compra de armas, o estabelecimento da figura dos "juízes sem rosto" contra a corrupção e o incentivo à energia solar.

O mais jovem dos candidatos, o independente Ivan Espinel, de 33 anos, líder de Compromisso Social, defende uma "lei bisturi" contra a corrupção e uma consulta popular sobre a pena de morte para casos de assassinato e estupro de menores de idade.

Por fim, o independente Washington Pesántez, ex-promotor e candidato da União Equatoriana, sugere convocar uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Carta Magna e instaurar um sistema de trabalho por horas, além de aplicar políticas para fortalecer a agricultura e melhorar a economia.

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