"Excesso punitivo" contra Odebrecht no Peru é "irracional", diz jornalista

Lima, 17 fev (EFE).- As medidas do governo do Peru contra a Odebrecht, que impedem que a construtora opere no país e limitam o movimento de capitais da companhia, constituem um "excesso punitivo" de "ordem irracional" e que não ajuda a revelar a verdade sobre o escândalo, afirmou nesta sexta-feira o jornalista Gustavo Gorriti.

Gorriti, diretor da IDL-Reporteros e responsável por revelar o caso Odebrecht no Peru, criticou a reação do governo de Pedro Paulo Kuczynski em entrevista à Agência Efe. Na semana passada, o presidente anunciou severas medidas contra a companhia em meio ao escândalo surgido após as propinas pagas pela construtora a importantes figuras políticas e que provocaram um pedido de prisão preventiva contra o ex-presidente Alejandro Toledo.

"Não se deve colocar obstáculos à delação. O objetivo não é a destruição da empresa, mas poder identificar e fazer confessar os criminosos envolvidos em um sistema organizado e muito forte de propinas em toda América Latina. Depois que os culpados forem punidos e o dinheiro roubado for recuperado, não vejo motivo algum para a empresa continuar trabalhando no Peru", afirmou.

Gorriti já tinha dado uma avaliação parecida na comissão parlamentar que investiga a Lava Jato no Peru. Além disso, o jornalista disse que o escândalo deve ser tratado como "internacional" e coordenado entre os países afetados.

Por esse motivo, o jornalista elogiou o acordo anunciado ontem pelas procuradorias-gerais de 11 países nos quais a Odebrecht é investigada. Após uma reunião em Brasília, organizada a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi anunciado o aumento da cooperação entre as partes. Gorriti desejou a parceria se transforme em uma "prática eficiente" e não em mais uma "vaga declaração da política regional".

"É uma decisão não só estúpida, mas irracional, aplicar um castigo coletivo que paralisa o trabalho e evita que as empresas possam seguir produzindo. Assim, se impede que elas possam pagar suas dívidas com o governo", avaliou Gorriti.

O diretor do diretor da IDL-Reporteros disse que a decisão do governo é típica de quem não teve a "tranquilidade interna" necessária para refletir e que foi tomada para que a opinião pública não pense que o Executivo está "permitindo a impunidade".

Em um decreto publicado na última segunda-feira, o Peru decidiu impedir que a Odebrecht seja contratada para realizar obras públicas. Além disso, a empresa terá que pagar suas dívidas no país antes de conseguir transferir seus recursos ao exterior.

A construtora brasileira e qualquer outra companhia condenada por atos de corrupção também deverá pedir permissão para o governo para vender seus ativos. O dinheiro irá para um fundo que garantirá o pagamento das multas que serão impostas pela Justiça.

"É preciso atuar de maneira imediata para conter a podridão da corrupção em todos os níveis. Isso levou muitos a acreditar que, para fazer obras, deve-se roubar", disse Kuczynski.

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