Humala diz que não pertence ao clube de presidentes peruanos foragidos

Lima, 17 fev (EFE).- O ex-presidente do Peru Ollanta Humala afirmou nesta sexta-feira que não pertence ao "clube dos presidentes foragidos", ao descartar sua participação em atos de corrupção durante uma intimação do Ministério Público sobre as investigações pela concessão do Gasoduto Sul Peruano a um consórcio liderado pela construtora brasileira Odebrecht durante o seu mandato.

O ex-chefe de Estado (2011-2016) foi intimado em qualidade de testemunha nas investigações abertas contra sua esposa Nadine Heredia por supostamente ter intervindo em favor da Odebrecht para ganhar a concessão do gasoduto em 2014.

No entanto, o depoimento do ex-presidente será reprogramado em uma data que ainda será definida, segundo esclareceu o próprio Humala aos jornalistas.

"Em meu caso, eu vivo no Peru, trabalho no país, tenho minha atividade política, tenho firmeza e não deixei o Peru em nenhum momento, estou permanentemente à disposição das autoridades e acato às normas do Ministério Público e do Poder Judiciário", afirmou Humala.

"Obviamente, eu não pertenço a esse clube de presidentes foragidos, que vão viver fora do país", disse Humala em referência aos ex-mandatários Alejandro Toledo (2001-2006) e Alan García (1985-1990, 2006-2011).

Toledo tem uma ordem de prisão preventiva contra si pela denúncia de que teria supostamente recebido uma propina avaliada em US$ 20 milhões da Odebrecht, enquanto García chegou ontem de Madri para prestar depoimento pelo mesmo caso em que Humala foi citado.

García, que vive na Espanha desde o ano passado, pediu ontem à imprensa que não o colocassem "no bando de ex-presidentes" denunciados e sentenciados por corrupção.

"Eu garanto que ninguém gostaria de estar no mesmo saco que o senhor García", respondeu hoje Humala em referência ao líder do partido Aprista.

Humala declarou que o projeto do gasoduto "deve ser relançado nas melhores condições, (porque) sabemos que se tivesse ocorrido um ato de corrupção, este governo deveria ter aplicado a cláusula anticorrupção".

"O que temos é um projeto que veio avançando, o problema são os jogadores, mas a perícia que o Ministério Público fez afirma que não há nenhum prejuízo econômico para o Estado", detalhou o titular do partido Nacionalista.

O Ministério Público do Peru investiga a entrega de US$ 29 milhões em propinas que a empresa Odebrecht declarou à Justiça dos Estados Unidos entre 2005 e 2014 para obter a concessão de obras em um período que compreende os governos de Toledo, García e Humala. EFE

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