Guterres não vê solução a curto prazo na Síria e não acredita na via militar

Munique (Alemanha), 18 fev (EFE).- O secretário-geral da ONU, António Guterres, se mostrou neste sábado pouco otimista com relação a "uma solução a curto prazo" na Síria, enquanto alguns mantêm a "total esperança" de que é possível uma solução militar ao conflito.

Guterres realizou estas declarações ao discursar na Conferência de Segurança de Munique (MSC) após a chanceler alemã, Angela Merkel, e o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, onde defendeu o multilateralismo, apesar de reconhecer suas atuais lacunas.

É preciso "convencer todas as partes", acrescentou o português, do "terrível perigo" que está sendo criado por este conflito, a ameaça do terrorismo jihadista global, e que em "seu melhor interesse" deve buscar uma saída política à guerra.

"O inteligente" é "cooperar para pôr fim ao conflito" pelo risco de estar alimentando o terrorismo internacional.

"Não há forma de acabar com o Estado Islâmico (EI) sem conseguir primeiro uma solução política para a Síria e Iraque", argumentou o secretário-geral da ONU.

No entanto, considerou que "ainda não estamos nesse ponto" no qual todas as partes envolvidas no conflito na Síria, da Rússia à Arábia Saudita, passando por EUA, Irã e Turquia, possam pôr de um lado suas diferenças para buscar uma solução política.

Neste contexto, aplaudiu que as partes voltarão na semana que vem a sentar na mesa de negociação em Genebra, apesar das dúvidas que persistem ainda sobre as possibilidades de retomar este processo apoiado pela ONU.

Para atalhar as causas a fundo deste conflito e do auge do terrorismo internacional, Guterres advogou por capacitar e apoiar as mulheres, por trabalhar para diminuir o desemprego -sobretudo o juvenil- e por reformar em profundidade as instituições multilaterais, começando pela qual dirige.

As Nações Unidas precisam de uma "profunda reforma", da mesma forma que outras estruturas multilaterais, para "atender" as expectativas e necessidades das pessoas, sobretudo daqueles que devido aos "efeitos assimétricos" da globalização se sentem deixados de lado.

Segundo sua opinião, a atual situação mundial é "caótica" e tende "talvez" ao multilateralismo", por isso que é conveniente estabelecer ainda mais instrumentos multilaterais.

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