Macron ataca Le Pen para recuperar terreno perdido em pesquisas na França

Paris, 18 fev (EFE).- O candidato independente Emmanuel Macron, considerado um dos favoritos nas eleições presidenciais da França, tentou neste sábado ganhar o terreno perdido nas pesquisas com um ataque ao projeto do "medo" da ultradireitista Marine le Pen.

Em um comício em Toulon, cidade do sul da França que já foi governada pela Frente Nacional (FN) de Le Pen, Macron passou à ofensiva, quando as pesquisas lhe mostram com um apoio em baixa após ter qualificado a colonização francesa na Argélia como "um crime contra a humanidade".

Perante o desgaste do candidato da direita, François Fillon, a quem a Justiça investiga por desvio de fundos públicos, o candidato do movimento "Em Marche" optou por centrar suas críticas em Le Pen, a quem as pesquisas indicam como sua principal rival no primeiro e no segundo turno das eleições presidenciais francesas, marcados para 23 de abril e 7 de maio, respectivamente.

"Nossa responsabilidade é enorme: temos que manter nossa democracia de pé, sem ceder ao ódio e respeitar a todos e cada um, o que inclui os que não pensam como nós", disse o ex-ministro de Economia (2014-2016) e dissidente do governante Partido Socialista (PS).

Entre bandeiras da União Europeia (UE) e com uma encenação dinâmica, Macron criticou que Le Pen "jogue com o medo" e denunciou que várias centenas de pessoas não puderam assistir ao ato em Toulon devido a ameaças de membros da Frente Nacional.

"Vocês foram valentes por vir. Havia os que não lhes queriam deixar entrar", ressaltou, reprovando Le Pen por "criar inimigos" como os estrangeiros.

Macron, de 39 anos, abordou algumas de suas políticas em matéria de segurança, um dos assuntos que mais preocupam os franceses devido aos ataques jihadistas dos dois últimos anos que deixaram 238 mortos.

O candidato considerou que não se deve fechar as fronteiras, ao contrário do que propõe a líder ultradireitista, e opinou que é preciso reforçar os serviços secretos, ao mesmo tempo em que pediu para não confundir o islã com o terrorismo, em outra alusão à FN.

Macron também prometeu "tolerância zero para os delinquentes", mas também para os abusos policiais, em referência ao caso do jovem negro Théo, que foi sexualmente violentado durante uma ação policial no dia 2 de fevereiro nos arredores de Paris.

Sobre este assunto, aproveitou para censurar outro de seus oponentes, Fillon, que propôs diminuir a idade de responsabilidade penal aos 16 anos, devido aos distúrbios gerados em manifestações em respaldo a Théo.

"A segurança não é a primeira de nossas liberdades. Diminuir a idade penal aos 16 anos é ineficaz e grave (...) A realidade é que, quando temos 16 anos, estamos construindo um futuro", ponderou.

Para Macron, é preciso dar mais formação às forças da ordem, que ele aumentaria em 10.000 soldados, assim como reforçar os recursos dos magistrados para que trabalhem "dignamente".

"A autoridade é a eficácia e a exigência, mas respeitando nossos valores (...) Sem ceder à demagogia e aos extremos. Os progressistas somos hoje os verdadeiros democratas", destacou.

Durante o ato, o candidato independente também se referiu à imprensa, que lhe criticou por não ser de direita nem de esquerda.

"O mundo muda. O que eu proponho é a liberdade radical e a justiça social radical", concluiu.

Nas últimas semanas Macron tinha subido posições nas pesquisas, devido à cisão da esquerda e à investigação judicial sobre Fillon.

No entanto, perdeu fôlego pela demora em divulgar seu programa e pelas declarações sobre a colonização na Argélia, que considerou "um crime contra a humanidade" e que soaram muito mal para uma fração considerável de franceses.

O candidato, que nesta semana teve que explicar melhor suas palavras, indicou que não se arrepende de ter reprovado a atitude francesa na Argélia, mas apressou-se em pedir perdão aos que se sentiram ofendidos, especialmente os franceses que tiveram que deixar o país norte-africano ao término da guerra (1954-1962), que desembocou na independência.

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