Moscou e Kiev pactuam outra trégua no leste da Ucrânia

(Atualiza com declarações de Lavrov).

Munique (Alemanha), 18 fev (EFE).- Moscou e Kiev pactuaram neste sábado, com a mediação de Paris e Berlim, um novo cessar-fogo no leste da Ucrânia que deve entrar em vigor a partir da próxima segunda-feira, dia 20 de fevereiro.

Segundo informaram os ministros das Relações Exteriores de França e Alemanha, Jean-Marc Ayrault e Sigmar Gabriel, seus homólogos russo e ucraniano, Sergei Lavrov e Pavlo Klimkin, chegaram a este acordo em reunião durante a Conferência de Segurança de Munique (MSC).

O objetivo desta nova trégua, que sucede a outras muitas tentativas frustradas de conter as hostilidades no leste da Ucrânia nos últimos meses, é pôr fim à "forte escalada" da violência na região do Donbas, explicou Gabriel.

Por sua parte, Lavrov, em um pronunciamento separadao, indicou que o único ponto positivo do encontro tinha sido o compromisso para um novo cessar-fogo, porque não tinham sido alcançados "muitos progressos" em relação ao Acordo de Minsk.

Além disso, o ministro russo esclareceu que nos próximos dias vão aconter encontros para detalhar um "roteiro" sobre como implementar os pontos militares e políticos do Acordo de Minsk.

O ministro alemão, no entando, falou de "uma boa atmosfera" no encontro e seu homólogo francês garantiu sentir-se "satisfeito" após a reunião, na qual também foi combinada uma nova reunião "em poucas semanas" neste mesmo formato para tentar fazer avançar o Acordo de Minsk, bloqueado há meses.

Durante a nova trégua deveriam voltar a retirar as armas pesadas da denominada "linha de contato", a frente entre o exército ucraniano e os rebeldes separatistas apoiados por Moscou.

Além disso, ambas partes se comprometem neste novo período de distensão a permitir o acesso aos observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que devem comprovar no terreno que a trégua está sendo cumprida, e ao pessoal da Cruz Vermelha, para que forneça ajuda humanitária à população civil.

Ayrault ressaltou, além disso, que "não há alternativa a Minsk", em relação ao acordo pactuado por Moscou e Kiev com a mediação franco-alemã no início de 2015 e que não conseguiu decolar devido às reservas de ambas partes.

Segundo ambos ministros, os EUA não estão cogitando participar das negociações em torno da Ucrânia, apesar dos rumores neste sentido que foram divulgados nos últimos dias.

A divulgação da nova trégua coincidiu com o anúncio por parte do Kremlin de um decreto do presidente russo, Vladimir Putin, que ordenou reconhecer os documentos dos moradores das áreas sob controle separatista no leste da Ucrânia.

O decreto, acrescenta o comunicado, beneficiará àqueles "cidadãos da Ucrânia e pessoas sem cidadania que vivam permanentemente em certas áreas das regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk", de modo que os afetados "possam entrar e sair da Rússia sem necessidade de formalizar um visto sobre a base dos documentos de identidade".

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