Poroshenko critica reconhecimento russo de documentos separatistas ucranianos

Munique (Alemanha), 18 fev (EFE).- O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, criticou neste sábado o reconhecimento por parte da Rússia dos documentos emitidos pelos separatistas ucranianos, depois de se reunir na cidade alemã de Munique com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

"Para mim, esta é uma nova prova da ocupação russa e da violação do direito internacional por parte da Rússia", disse o presidente ucraniano a veículos de comunicação.

Poroshenko afirmou que informou Pence sobre a medida adotada pelo chefe do Kremlin, Vladimir Putin, de reconhecer "os passaportes dos territórios ocupados, das chamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk".

Nesse sentido, durante seu discurso na Conferência de Segurança de Munique, Pence pediu à Rússia que cumpra sua parte nos Acordos de Minsk, assinados em fevereiro de 2015.

Em Kiev, o secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, Alexander Turchinov, afirmou que a medida adotada por Putin é comparável com a renúncia da Rússia aos acordos de paz.

"Minsk contempla a desocupação do leste da Ucrânia e seu retorno ao marco legal do país", lembrou Turchinov, acrescentando que, com o decreto de Putin, a Rússia "reconhece juridicamente os dois grupos terroristas" que "encobriram a ocupação russa".

Segundo o decreto presidencial emitido pelo Kremlin, a medida beneficiará "cidadãos da Ucrânia e pessoas sem cidadania que residam permanentemente em certas áreas (pró-russas) das regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk".

A nota ressalta que a medida é "provisória" e estará em vigor "até a regulação política da situação" no leste da Ucrânia "sobre a base dos Acordos de Minsk".

O decreto reconhece como válidos "os documentos emitidos pelos organismos competentes no território das áreas mencionadas", ou seja, pelas autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, que não são reconhecidas nem por Kiev nem pela comunidade internacional.

Além disso, os afetados "podem entrar e sair da Rússia sem necessidade de formalizar um visto sobre a base dos documentos de identidade".

Os separatistas pró-Rússia não demoraram em agradecer Putin pela medida, alegando que "a Ucrânia fez tudo o que pôde para privar os habitantes do Donbass do maior número de direitos".

"O passo de hoje é mais um que aproxima a república do reconhecimento mundial de nossa soberania. Acreditamos firmemente que nosso futuro está estreitamente vinculado com a Rússia. Somos parte do mundo russo e este documento confirma isso", declarou Igor Plotnitski, líder dos separatistas de Lugansk.

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