Quase 1 milhão de civis estão em perigo no oeste de Mossul, diz ONU

Bagdá, 18 fev (EFE).- As Nações Unidas advertiram neste sábado que até 800 mil pessoas podem estar em "risco extremo" no Iraque perante o iminente início das operações militares para expulsar o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) dos bairros do oeste de Mossul.

"A situação é angustiante. As pessoas, atualmente, estão em perigo. Estamos escutando estórias de pais que estão lutando para alimentar seus filhos ou para aquecer suas casas", disse a coordenadora humanitária das Nações Unidas no Iraque, Lise Grande, em comunicado.

Segundo o responsável, "a batalha ainda não começou, mas já há uma crise humanitária".

A ONU afirma que "a comida e o combustível estão diminuindo, os mercados e as lojas fecharam, a água corrente escasseia e a eletricidade em muitos bairros é intermitente ou já foi interrompida".

As Nações Unidas consideram que entre 750 mil e 800 mil civis residem nos bairros ocidentais de Mossul, ainda controlados pelo EI, depois que em janeiro as Forças de Segurança iraquianas tomaram o controle dos distritos do leste da cidade.

A ONU também advertiu hoje do perigo do bloqueio imposto pela coalizão internacional a Mossul, onde segundo disse, "muito pouco ou nenhum fornecimento comercial entrou em Mossul nos últimos três meses após a interrupção da principal estrada em direção à Síria", onde o EI controla também amplas zonas de território.

De acordo com os relatórios recolhidos pela ONU, a metade das lojas fecharam, as padarias ficaram sem luz e muitas não podem seguir trabalhando devido ao encarecimento da farinha.

Além disso, o gás para cozinhar e o querosene alcançaram preços exorbitantes, por isso que muitas famílias começaram a queimar madeira, móveis, plástico e lixo para cozinhar e se aquecer, assegura a nota.

"Três de cada cinco pessoas usam água de poços sem tratar para cozinhar e beber, depois que os sistemas de água e as plantas de tratamento foram danificadas pelos combates ou ficaram sem cloro", garantiu o representante do Unicef no Iraque, Peter Hawkins.

As agências humanitárias estão preparando ajuda e espaço para entre 250 mil e 400 mil civis que calculam poderiam fugir da cidade assim que começarem os combates, segundo a ONU.

"Não sabemos que ocorrerá durante a campanha militar, mas devemos estar preparados para todos os cenários possíveis. Dezenas de milhares de pessoas podem sair ou serem forçadas a sair da cidade e centenas de milhares podem ficar presas durante semanas ou meses", concluiu Grande.

As tropas iraquianas asseguraram nos últimos dias que concluíram todos os preparativos para começar a terceira fase da conquista de Mossul, cujo objetivo é libertar completamente a cidade, considerada a capital do EI no Iraque.

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